Uma catedral episcopal em Glasgow (Escócia) provocou grande controvérsia, depois de permitir a leitura de um verso do Alcorão, que nega que Jesus Cristo é o Filho de Deus, durante a celebração de um culto recente.

O reitor da Igreja Episcopal de St. Mary, Rev. Kelvin Holdsworth, tentou justificar o ocorrido no culto, segundo a BBC News, argumentando que tinha como objetivo fortalecer as relações entre cristãos e muçulmanos.

[img align=left width=300]https://thumbor.guiame.com.br/unsafe/840×500/smart/media.guiame.com.br/archives/2017/01/12/4138968813-leitura-surata.jpg[/img]O culto eucarístico em questão marcou a ‘Festa da Epifania’ na catedral de Glasgow, e incluiu um leitor convidado que leu a ‘Surata 19’ do Corão. O trecho da escritura islâmica afirma que Jesus não é o Filho de Deus e que Ele não deveria ser adorado.

O site ‘Breitbart News’ compartilhou um vídeo, que registrou o momento, no qual o orador narra o relato islâmico do nascimento de Jesus. O relato – diferente da versão bíblica – afirma que Maria estava “envergonhada” depois de dar à luz a Jesus e que Ele milagrosamente falou ainda do berço para ela, mesmo sendo um recém-nascido.

Uma tradução do verso 35 da Surata 19, o Corão relata que o próprio menino Jesus diz para Maria: “Não cabe à Majestade de Deus que Ele tenha um Filho” e então no versículo 36, o bebê continua: “Eis que Deus é meu Senhor e teu Senhor. Adore a Ele, porque este é o caminho certo”.

Alguns líderes da igreja, como o Reverendo Michael Nazir-Ali, ex-bispo de Rochester, criticaram a leitura do Corão em uma igreja e disse que esta ideia é fruto de “maus conselhos”.

“Os cristãos devem saber no que seus concidadãos acreditam e isso pode até incluir a leitura do Corão para si mesmos, seja no original ou na tradução, mas isso não é o mesmo que lê-lo na Igreja, no contexto de um culto coletivo”, disse Nazir-Ali.

“As autoridades da Igreja Episcopal Escocesa devem imediatamente repudiar este convite mal-aconselhado e exercer a disciplina apropriada para os envolvidos”, acrescentou.

O Rev. Kelvin Holdsworth, presidente da catedral, também defendeu as leituras, no entanto, ele disse que o momento foi destinado a ajudar a “construir pontes” entre cristãos e muçulmanos na cidade.

“Tais leituras aconteceram várias vezes no passado, nesta e em outras igrejas e levaram a aprofundar amizades na região, a uma maior conscientização sobre as coisas que mantemos em comum e ao diálogo sobre os pontos nos quais diferimos”, disse Holdsworth, Segundo a BBC.

Houve um crescente esforço inter-religioso no ano passado para “acolher refugiados”, com altos líderes religiosos católicos e muçulmanos reunindo-se nos Estados Unidos em agosto para declarar que tanto o cristianismo como o Islã amam a vida e se opõem ao terrorismo. A iniciativa enfrentou duras críticas, sobretudo de extremistas islâmicos.

“A crença em um Deus unifica judeus, cristãos e muçulmanos. Servir a Deus requer trabalhar para o bem-estar de todas as Suas criaturas e o bem comum da humanidade. Os líderes religiosos devem fornecer a orientação moral e falar contra a injustiça e tudo o que é prejudicial para a humanidade”, dizia uma declaração conjunta, publicada anteriormente no site da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos.

[b]Fonte: Guia-me[/b]