Em 4 de novembro, assaltantes não-identificados arremessaram seis coquetéis molotov contra a Igreja Protestante Amor, na cidade de Odemis, na Turquia. As janelas do edifício foram quebradas, e houve alguns danos menores no exterior do prédio.

Essa igreja tem sido vítima de uma série de ataques perpetrados por elementos desconhecidos. Odemis é uma cidade a 105 quilômetros ao leste de Esmirna,

A polícia de Odemis disse que os fragmentos das bombas detonadas foram mandados para Esmirna, para a avaliação de especialistas forenses. Os explosivos eram caseiros, colocados dentro de garrafas de cerveja.

O pastor da igreja, Mehmet Sahin Coban, disse que estava fora do prédio, onde sua família e ele moram, quando o ataque aconteceu, por volta das 22h30. Depois que seu filho telefonou para ele, dizendo que algumas janelas haviam quebrado e que objetos em chamas foram atirados contra os muros, Mehmet notificou a polícia e então correu para o local.

Durante as duas últimas semanas, pessoas atiravam pedras contra a igreja quase todas as noites. Embora Mehmet tenha reportado os incidentes à polícia de Odemis, ele disse que nada foi feito.

Mas, em questão de minutos depois do atentado, um esquadrão da Ordem Pública e Anti-Terrorista veio avaliar os danos, tirar digitais e registrar a queixa oficial de Mehmet.

Os repórteres locais vieram na manhã seguinte para cobrir o ataque. As primeiras reportagens do jornal “Yeni Asir” no dia 6 de novembro, e de outros diários, diziam que o edifício era apenas uma casa. Mas no dia 7, um artigo de 1ª página do jornal Odemis Kent, repleto de fotografias, dizia claramente em seu título: “Coquetel molotov é atirado contra Igreja em Odemis”.

O jornal citava Mehmet dizendo: “Eu tenho liberdade de cultuar como protestante. Há seis anos eu mudei minha identidade religiosa para [cristão] protestante. Tenho liberdade religiosa como cidadão da república turca. A religião escrita na minha carteira de identidade é a minha religião”.

Registro negado

Mehmet, de 46 anos, se converteu ao cristianismo há 14 anos. Sua pequena congregação não conseguiu obter o status formal de “igreja” desde que começou a se reunir, há sete anos.

A igreja, formada em 1999, tem 25 membros e se reúne em seu atual endereço, na Rua Selvi, desde 2002. Seguindo os procedimentos estabelecidos, o grupo informou à administração do distrito de sua localização nas duas vezes (quando se formou e quando se mudou), declarando o endereço e os horários de seus cultos.

Mehmet disse que, em fevereiro de 2004, a igreja pediu para registrar seu templo, em uma carta ao município de Odemis. Mas, 10 meses depois, a cidade negou o pedido.

A polícia de segurança pressiona o grupo desde então, querendo que ele feche a igreja por não ter status legal, disse Mehmet.

Depois de as janelas da igreja terem sido quebradas diversas vezes em 2005, a igreja colocou venezianas e grades de ferro sobre as janelas.

Segundo o pastor, a apenas duas semanas atrás, os vidros de seu carro, estacionado em frente à igreja, haviam sido quebrados.

Apesar do custo, a congregação está procurando um advogado para ajudar a assegurar seus direitos como cidadãos turcos, a fim de estabelecer oficialmente sua igreja como um templo.

“Atirar pedras e coquetéis Molotov em nossa igreja não nos forçará a mudar nossa fé”, Mehmet disse.

Outro pastor cristão turco, ex-muçulmano, disse à agência de notícias Compass não estar surpreso com tais incidentes. Mas, disse ele, “gostaríamos de ver ações mais eficientes por parte das autoridades em relação a nós”.

Relatório da União Européia

Em 8 de novembro saiu o esperado relatório da Comissão da União Européia (UE) sobre a Turquia. O relatório notou que: “Foram relatados ataques contra clérigos e templos de comunidades não-muçulmanas”.

Esse último relatório, emitido de Bruxelas, criticou a enorme dificuldade dos muçulmanos turcos em resolverem as disparidades evidentes das restrições legais contra as minorias religiosas.

“A liberdade religiosa geral continua a ser respeitada genericamente. Entretanto, não houve progresso em se resolver os problemas encontrados por comunidades religiosas não-muçulmanas, algumas das quais não são reconhecidas oficialmente”, lê-se no relatório.

Fonte: Portas Abertas