O Conselho Mundial de Igrejas (CMI) condenou nesta segunda-feira “a violência registrada na Faixa de Gaza”, pediu que a mesma seja interrompida e que os civis em risco sejam protegidos nos dois lados da fronteira. Relatório da ONU aponta mortes de diversos inocentes.

O secretário-geral do CMI, Samuel Kobia, reivindicou que os ataques “cessem imediatamente”, após afirmar que as mortes e o sofrimento destes três últimos dias “não alcançarão nada além de mais dor e mortes”.

Lembrou que esta ofensiva armada já causou “mais de 300 mortos, mais de 1 mil feridos e milhares de pessoas traumatizadas”.

A organização reiterou um apelo anterior que fez ao Governo de Israel e ao Hamas, que administra o poder no território palestino de Gaza, para que respeitem os direitos humanos.

Alertou que o provável uso por Israel de suas forças terrestres levaria apenas a “aprofundar o desastre atual”.

O CMI criticou as políticas que se baseiam em cortar o fornecimento de alimentos, remédios e combustíveis para o 1,5 milhão de habitantes de Gaza, em referência às medidas israelenses dos últimos meses.

Além disso, criticou o Hamas pelo lançamento indiscriminado de foguetes contra localidades de Israel.

Kobia expressou sua esperança de que o novo ano dê “nova coragem, liderança e compromisso ao difícil trabalho da paz no Oriente Médio”.

Dezenas de crianças estão entre as vítimas de ataques

O número de palestinos mortos em ataques israelenses contra a Faixa de Gaza já chegava a 364 na noite de ontem, segundo o Ministério da Saúde em Gaza. Segundo a ONU, há pelo menos 57 civis entre os mortos, inclusive 21 crianças e sete mulheres. Os feridos já são cerca de 1.400 desde o início dos bombardeios israelenses, no sábado, e os nove hospitais da Faixa de Gaza estão lotados. A ofensiva é a mais sangrenta desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

A aviação israelense voltou lançar ontem ataques no norte da Faixa de Gaza. O Estado de Israel convocou 6.500 reservistas e tropas terrestres estão próximas à fronteira com o território. O governo israelense declarou a Faixa de Gaza como “zona militar fechada” — civis podem ser barrados na região, o que significaria a proximidade de ataque terrestre.

O vice-chefe das Forças de Defesa de Israel, general de brigada Dan Harel, disse que toda a infra-estrutura do Hamas será destruída. “Não sobrará nenhum edifício em pé do Hamas em Gaza. Nós estamos atingindo não apenas terroristas, mas também o governo inteiro do Hamas”, disse Harel a líderes de comunidades israelenses que ficam ao alcance dos foguetes disparados pelo Hamas. “Estamos atingindo prédios do governo, fábricas, instalações de segurança e mais. O pior ainda está pela frente”, ameaçou.

O governo israelense afirma agir em resposta aos 150 foguetes lançados pelo Hamas contra o sul de seu território desde o fim do cessar-fogo de seis meses com o grupo, há dez dias. Os ataques palestinos causaram pânico e deixaram quatro vítima fatais, de sábado até ontem. De acordo com o Exército israelense, 70 foguetes e bombas atingiram o país somente o ntem.

Funcionário graduado do Hamas disse que não haverá trégua com Israel até que os ataques sejam suspensos e a fronteira reaberta. “Nós precisamos da nossa liberdade. Se não atingimos esse objetivo, então temos que resistir”, disse Abu Marzouk, acrescentando que os ataques de Israel e mortes de civis são “contra qualquer lei internacional”. Ele advertiu ainda que o Hamas agora pode retaliar em qualquer lugar de Israel.

Milhares de manifestantes realizaram protestos em diversos países ontem contra os ataques israelenses à Faixa de Gaza. Um dos maiores protestos foi realizado na capital do Líbano, Beirute.

Famílias dizimadas e hospitais destruídos

Na noite do domingo, um míssil disparado por um caça israelense matou uma mulher, um bebê e três meninas. Ontem, um pai palestino chorava no enterro de suas cinco filhas, num campo de refugiados ao norte da Faixa de Gaza. Em seus braços, levava seu único filho vivo, com ferimentos.

Para tornar ainda mais dramática a situação, a Faixa de Gaza sofre uma grave carência de remédios, leitos hospitalares e sangue. “Sofremos um enorme escassez de recursos para tratar os feridos”, denunciou em comunicado Moawiya Hasanein, chefe dos serviços de emergência de Gaza, precisando que faltam na faixa “mais de 150 tipos de remédios”.

Também não há câmaras frigoríficas suficientes para conservar os cadáveres após três dias da ofensiva aérea israelense. Por isso, as autoridades estão fazendo apelos para que a população vá aos hospitais recolher seus parentes mortos.

Três dos principais hospitais foram danificados nos ataques e os serviços de ambulâncias operam com 50% de sua capacidade devido à falta de pessoal e equipamentos, informou em seu site o Centro de Mídia Internacional do Oriente Médio.

Fonte: EFE e O Dia online