Um grupo de líderes religiosos e de movimentos sociais brasileiros, liderado pelo episcopado da Igreja Católica, defendeu a realização de uma auditoria da dívida externa do Brasil e de um plebiscito para anular a privatização Companhia Vale do Rio Doce.

As reivindicações foram feitas no documento divulgado este domingo na cerimônia de fechamento da Quarta Semana Social Brasileira, que começou no sábado passado em Brasília e que reuniu a representantes de várias organizações sociais e igrejas cristãs.

A reunião foi convocada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e contou com a participação de grupos como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).

No documento final, os participantes do encontro defenderam a realização de uma consulta popular para que os brasileiros possam decidir se anulam ou não a privatização Companhia Vale do Rio Doce.

A empresa, maior produtora mundial de ferro e que no mês passado adquiriu uma empresa canadense que é a segunda maior produtora mundial de níquel, foi privatizada em 1998 pelo Governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Naquela época, o Governo alegou que não havia recursos para investir na empresa, que não tinha alcançado o tamanho nem a importância que tem atualmente em mãos privadas.

No documento, igrejas e movimentos sociais também pediram uma auditoria da dívida externa do Brasil, por considerar que ela já foi paga integralmente, assim como uma revisão das tarifas de energia elétrica e a regulamentação da reforma agrária.

Igualmente defenderam a promoção de uma comunicação alternativa para “diminuir a influência negativa dos grandes meios de imprensa de comunicação social”.

Nas últimas semanas tanto os movimentos sociais como o presidente do país, Luiz Inácio Lula da Silva, e alguns dirigentes do PT asseguraram que os grandes meios de comunicação assumiram uma campanha contra o Governo e contra a reeleição do chefe de Estado.

O documento das igrejas e dos movimentos sociais também defende uma ampla reforma política que permita aos cidadãos “exercer uma democracia direta” mediante referendos, programas de orçamento participativo e outras iniciativas populares.

Fonte: EFE