O vazamento de um vídeo que mostra o brutal espancamento de um interno de um “centro espiritual e de reabilitação” para drogados da Igreja Ortodoxa provocou um escândalo na Sérvia e obrigou as autoridades religiosas do país a se desculparem e anunciarem o fechamento da instituição.

Representantes do Ministério do Interior sérvio confirmaram hoje à rádio “B-92” que investigam uma denúncia sobre os maus-tratos contra drogados em tal centro.

O escândalo surgiu quando a revista “Vreme” publicou um vídeo em seu site que mostra como um paciente é agredido brutalmente por empregados do centro, situado no mosteiro de Crna Reka, a quase 200 quilômetros ao sul de Belgrado.

O vídeo mostra como um paciente é dominado por um funcionário enquanto outro o agride brutalmente nas nádegas com uma pá.

A surra contra o interno continua com socos e joelhadas no rosto, enquanto a vítima grita de dor, até cair no chão.

A “Vreme” assegura que os remédios dos pacientes são prescritos pelo diretor da instituição, o sacerdote Branislav Peranovic, e que os demais funcionários são “leões-de-chácara”.

O Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Sérvia pediu hoje ao bispo da região o fechamento imediato do centro de reabilitação do mosteiro de Crna Reka e a abertura de um processo contra os sacerdotes supostamente envolvidos, informou a agência de notícias “Tanjug”.

Por outro lado, dezenas de pais de pacientes internados mostraram seu apoio à instituição e a seu diretor, segundo informa a edição de hoje do jornal “Politika”.

“Só graças a este centro meu filho ainda está vivo. Caso o fechem, isso será nossa tragédia, já que o Estado não dá alternativa”, declarou uma das mães.

Alguns pais até confirmaram que seus filhos foram maltratados no centro, mas garantem que consideram esse tratamento justificável.

O diretor do centro declarou ao “Politika” que fica “feliz com todo o ocorrido nos últimos dias, para que a verdade” venha a público.

“Nunca escondi que se recorre ao uso da força. Somos conscientes de que isso não está dentro da lei, mas as leis também não são perfeitas. Sabemos que as condições não são ideais, mas qualquer coisa é melhor que a morte antecipada”, disse.

Um ex-paciente do centro religioso declarou à “Vreme” que, ao internar seus filhos, os pais assinam um documento no qual autorizam “todo tipo de tratamento, incluindo espancamentos”.

Esse ex-paciente assegurou que as surras são constantes e que costumam ser muito mais brutais do que as descritas pela revista.

A mesma fonte também assegurou que o próprio diretor, que “estudou artes marciais”, espanca os internos e que os pacientes que não reclamam são mais bem tratados do que aqueles que denunciam os maus-tratos a suas famílias.

Fonte: EFE