O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) conclamou Estados membros da organização a investirem nas mulheres para reduzir índices de mortalidade associados à gravidez e/ou ao parto. “Investir na saúde reprodutiva da população é afiançar o exercício de direitos humanos e consolidar as estratégias de superação da pobreza”, disse a representante da UNFPA na Argentina, Eleonor Faur.

No Dia Mundial da População, comemorado em 11 de julho, UNFPA chamou a todos os Estados membro da ONU a investir nas mulheres no marco da crise financeira internacional, que ameaça incrementar os índices de mortalidade materna, um dos indicadores mais sensíveis da pobreza.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, advertiu que à medida que os orçamentos nacionais se reduzem “a crise ameaça fazer desaparecer progressos tão arduamente conseguidos no melhoramento da saúde e do alívio da pobreza”.

A maioria das mortes relacionadas à gravidez e/ou ao parto afeta mulheres pobres que vivem em países em desenvolvimento, onde uma de cada 76 corre o risco de morrer por causas relacionadas à maternidade, enquanto nos países industrializados a taxa é de uma para oito mil.

Historicamente, as crises econômicas e sociais incrementam o número de mortes associadas à maternidade. Na Argentina, o estalido da crise econômica e social em 2001 também teve reflexos neste indicador, que desde então não diminuiu.

A mortalidade materna no país é de 44 cada 100 mil nascidos vivos. Uma das metas do Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) é de reduzir a mortalidade materna até 2015 à razão de 13 mortes para cada 100 mil nascidos vivos.

A alta percentagem de mulheres que realizam mais de quatro controles pré-natais e o alto nível de institucionalização dos partos -próximos a 100% – sugerem que a redução da mortalidade materna na Argentina é um desafio possível. Chile e Uruguai o conseguiram.

A maioria das causas das mortes maternas é evitável, disse a coordenadora do Programa Nacional de Saúde Sexual e Reprodutiva, Ana Inés Ferrarotti. As complicações derivadas do aborto provocaram 29% das mortes maternas em 2006 e são a primeira causa de mortalidade materna no país.

Fonte: ALC