Até o ano 2000, os muçulmanos do Irã só poderiam vir a Cristo se tivessem experimentado um milagre ou se tivessem conversado sobre Jesus Cristo em sonho. Isso ainda acontece, mas hoje a maioria dos novos convertidos chega ao Evangelho através de programas de TV via satélite.

“As novas mídias estão se tornando extremamente importantes no futuro e no fortalecimento da Igreja”, disse Stefan de Groot, que realiza um trabalho de campo da Portas Abertas no Oriente Médio.

Risco de morte

Os muçulmanos que se tornam cristãos põem suas vidas em risco. Em novembro de 2005, o líder de uma igreja doméstica, o pastor Ghorban Dordi Tourani, foi morto por causa da fé cristã.

Desde então um número incontável de cristãos tem sido preso e outros receberam longas sentenças. No entanto, poucos casos “vazam” para a divulgação da imprensa internacional.

Segundo Stefan, “apesar da pressão, há um movimento crescente da igreja doméstica”.

Importância do satélite

“Há iranianos que vão para o ocidente e se tornam cristãos e então voltam para o país e começam a evangelizar, mas a maioria hoje chega a Cristo através da mídia, especialmente pela TV via satélite”, contou o membro da Portas Abertas.

Isso porque “ninguém pode controlar os programas que os iranianos assistem”, diz ele.

Há muitas questões abordadas nessas estações sobre os muçulmanos e muitos produtores procuram retratar histórias de pessoas que se converteram ao cristianismo.

A Portas Abertas também tem feito parte da produção de programas de TV.

“Nós pesquisamos o que os iranianos precisam. Através desses programas podemos fortalecê-los. Não apenas por meio de programas de evangelização”, contou Stefan.

Segundo ele, também são ministrados discipulados e treinamentos para pastores pela TV.

“Algumas células cresceram surpreendentemente de apenas uma pessoa para um grupo de cem. Como poderíamos organizar um grupo desses com crentes de apenas dois anos de conversão?”.

“É um trabalho que ainda está sendo adaptado, mas a Portas Abertas mantém essa estratégia. Eu espero que a distribuição de literatura cristã cresça no Irã entre 10% e 15% nos próximos anos”, disse ele.

Grande parte da literatura distribuída hoje é um complemento, direto ou indireto, dos programas de TV dos canais via satélite.

Mudança de hábito

Quase todas as notícias diárias do Irã se referem à aspiração nuclear. “Normalmente os iranianos são temidos pela guerra, mas os jovens escutam às escondidas música western e tomam bebidas alcoólicas com as cabeças descobertas”, disse ele.

Além disso, os blogs são populares no Irã. “Há uma extensa lista de comunidades ansiosa por fazer contato com o mundo afora e isso não sustenta realmente a rigidez que se imagina do regime”, afirmou Stefan.

A autoridade do presidente Mahmoud Ahmadinejad e de outros líderes está fundamentada no islã, o que significa que se as pessoas se desviarem do islã, eles perdem a autoridade.

Stefan lembra ainda que foi criado no Irã “um inimigo comum, a América, e por outro lado, uma base comum, o islã”.

“Os cristãos étnicos são tolerados, mas os outros não. Por exemplo, eles não podem evangelizar. Nas igrejas católicas e assírias da Armênia, guardas uniformizados ficam de prontidão na porta controlando a entrada e decidindo se quem está ali é ou não um cristão étnico”, contou ele.

As igrejas armênias e assírias são muito fechadas. Do lado de fora, eles podem participar de encontros limitados e também são autorizados a publicarem determinados livros, contou Stefan.

Fonte: Portas Abertas