Os principais jornais da Dinamarca voltaram a publicar ontem a polêmica charge do profeta Maomé na qual ele possui uma bomba no turbante, um dia depois da detenção de três supostos terroristas que planejavam matar o cartunista responsável pelo desenho, o veterano Kurt Westergaard.

A imprensa dinamarquesa reagiu desta maneira ao que considera uma tentativa de atentado contra a liberdade de expressão.

Os jornais do país ainda parabenizaram os serviços de inteligência nacionais, que detiveram os três homens, dois tunisianos e um dinamarquês de origem marroquina, na localidade de Aarhus.

O jornal “Jyllands-Posten”, que publicou as caricaturas há quase três anos e para o qual Westergaard trabalha, assinala em seu editorial de hoje que “”crise de Maomé” será utilizada como desculpa para diversas iniciativas mais ou menos radicais e para outros planos de assassinatos ou atentados”.

Segundo o chefe dos serviços secretos dinamarqueses, Jakob Scharf, o dinamarquês de origem marroquina é suspeito de violar as leis contra o terrorismo, mas provavelmente será posto em liberdade após prestar depoimento, enquanto seus dois cúmplices serão deportados do país.

Scharf disse que as detenções foram de caráter “preventivo” e aconteceram quando os supostos terroristas estavam “na fase inicial” dos preparativos para um atentado contra Westergaard, um dos 12 cartunistas que criaram charges de Maomé.

No entanto, o diretor do “Jyllands-Posten”, Carsten Juste, afirmou na edição digital do jornal que havia “planos muito concretos para matar Kurt Westergaard”.

O cartunista, de 73 anos, e sua esposa Gitte, de 66, estão há meses sob proteção policial.

Westergaard assinalou nesta terça-feira à edição digital do jornal que as forças de segurança o avisaram dos planos que existiam contra ele.

O cartunista afirmou que sentiu mais “ira” e “indignação” do que medo de ser assassinado. Westergaard disse que se sentia “furioso” de sua pessoa ter sido usada para “semear tanta loucura”.

Além disso, manifestou seu temor de que as “doentias” repercussões de sua caricatura possam durar “para o resto” de sua vida.

“É triste, mas se transformou em uma circunstância da minha vida”, acrescentou.

O “Jyllands-Posten” publicou, em setembro de 2005, cerca de dez caricaturas do profeta Maomé, que inicialmente passaram despercebidas, mas que meses depois provocaram uma onda de protestos em vários países islâmicos.

As manifestações de protesto contra a publicação das polêmicas caricaturas chegaram a causar mais de cem mortos em diferentes países.

Westergaard desenhou Maomé como um homem de aspecto barbudo com uma bomba no turbante. A versão on-line do jornal reproduz hoje novamente a caricatura.

O Islã considera uma ofensa a representação em imagens do profeta Maomé.

Fonte: EFE