Um juiz americano emitiu nesta terça-feira um mandado de prisão contra uma mulher que resiste a permitir que seja administrada quimioterapia a seu filho de 13 anos, que tem câncer, depois que ela faltou a uma audiência judicial sobre o bem-estar do garoto e, aparentemente, fugiu com ele na segunda-feira.

John Rodenberg, juiz do Condado de Brown, em Minnesota, também ordenou que o garoto, Daniel Hauser, seja colocado sob custódia protetora para que ele possa receber tratamento médico adequado para o linfoma de Hodgkin, uma forma de câncer nos gânglios linfáticos.

O câncer é considerado altamente curável com o tratamento adequado, mas Daniel abandonou a quimioterapia depois que seus pais optaram por “tratamentos alternativos”, alegando crenças religiosas. Isso levou as autoridades à Justiça.

Na semana passada, o mesmo juiz disse que os pais de Daniel, Colleen e Anthony Hauser, foram negligentes com o filho. Anthony Hauser agora concorda que o tratamento de Daniel seja reavaliado por um médico, disse Calvin Johnson, advogado dos pais.

O casal devia ter comparecido ao tribunal nesta terça-feira para informar ao juiz sobre os resultados de uma radiografia de tórax e sobre a procura por um oncologista. Mas o pai de Daniel foi o único que apareceu. Ele disse ao juiz Rodenberg que viu a mulher pela última vez nesta segunda-feira à noite
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“Ela disse que ia a sair,” disse Hauser ao juiz. “Ela disse: ‘Isso é tudo que você precisa saber’. E isso é tudo o que sei.”

Segundo ele, a esposa deixou o celular em casa.

O médico da família, James Joyce, testemunhou por telefone que o tumor de Daniel cresceu e que ele precisa ser examinado imediatamente por um especialista em câncer infantil.

Joyce disse que examinou Daniel na segunda-feira, e que o exame de raios-X mostrou que o tumor tinha crescido desde que foi diagnosticado no início do ano.

“Ele tinha basicamente voltado a todos os problemas que teve em janeiro”, disse o médico.
Daniel estava acompanhado da mãe e de Susan Daya, que Joyce disse ser uma advogada da Califórnia.

Joyce testemunhou que se ofereceu para indicar oncologistas do Hospital Infantil da Universidade de Minnesota ou de outro local, mas que os pais de Daniel rejeitaram a oferta. Ele também disse que tentou dar mais informações sobre o linfoma a Daniel, mas que Daya, o garoto e a mãe saíram correndo.

Na decisão sobre a obrigatoriedade do tratamento, o juiz afirmou que Daniel não consegue compreender a diferença entre a quimioterapia e a terapia natural defendida por seus pais e que o garoto não consegue ler e tem problemas de aprendizado.

Daniel testemunhou que acreditava que a quimioterapia iria matá-lo e disse ao juiz, em depoimento privado, que iria chutar e esmurrar quem tentasse forçá-lo a ser submetido ao tratamento.

Os Hausers, que têm oito filhos, são católicos. Apesar de a Igreja Católica não apresentar nenhuma restrição à quimioterapia, eles seguem a filosofia de “não ferir” da Nemenhah Band, um grupo religioso de Missouri que acredita em métodos de cura natural defendidos por alguns índios americanos.

O grupo Nemenhah foi fundado nos anos 90 por Philip Cloudpiler Landis, que ficou quatro meses na prisão de Idaho por fraude relacionada ao uso de remédios naturais. Laid afirmou ter fundado a crença após ter recebido um diagnóstico de câncer similar ao de Daniel. Ele afirma ter sido curado ao seguir uma dieta.

Fonte: Folha Online