O advogado que defende a Igreja da Cientologia em um julgamento que poderá levar à dissolução da organização na França apresentou seus argumentos finais nesta quarta-feira, 17, pedindo a absolvição do grupo. Um veredicto é esperado para outubro.

O advogado Patrick Maisonneuve pediu aos juízes que presidem o julgamento que “dissolvam (seus) preconceitos e ideias preconcebidas” sobre a Igreja da Cientologia, e declarem inocentes seis de seus líderes franceses,a acusados de fraude e outros crimes.

O grupo, considerado uma seita na França, tem enfrentado dificuldades em legitimar-se e legalizar suas atividades em vários países.

O julgamento francês, que teve início no mês passado, terminou nesta quarta. O veredicto deve sair em 27 de outubro.

No início da semana, a promotoria pedira que o grupo fosse banido do país e recebesse uma multa de 2 milhões der euros, ou quase R$ 6 milhões, se condenado por fraude e pelo exercício ilegal de atividade farmacêutica.

O julgamento chega a uma conclusão mais de dez anos depois da apresentação da primeira queixa em questão no tribunal ter sido apresentada. Uma mulher alega ter feito empréstimos e gastado o equivalente a US$ 29,4 mil, ou cerca de R$ 50 mil, em livros, cursos e “pacotes de purificação” depois de ter sido recrutada pelo grupo em 1998. Quando pediu um reembolso, ao decidir deixar a organização, foi recusada.

O juiz de instrução Jean-Christophe Hullin passou anos examinando as atividades da Cientologia, e seu indiciamento critica práticas que, segundo ele, tinham por objeto extorquir dinheiro dos membros e mergulhá-los num “estado de submissão”.

Maisonneuve disse que nem a igreja e nem seus seis líderes em julgamento ganharam dinheiro com as práticas da organização.

A promotora insistiu que algumas das práticas da Cientologia, incluindo testes de personalidade administrados a recrutas e seu “assédio comercial” constituem fraude punível em lei.

A Igreja da Cientologia, fundada nos EUA em 1954 pelo falecido escritor de ficção científica L. Ron Hubbard, atua há décadas na Europa, onde ainda luta para ser reconhecida como religião.

Fonte: Estadão