O lama Michel Rinpoche, 25 anos, mestre brasileiro de budismo tibetano, participou da inauguração de um Fórum Inter-Religioso permanente na Secretaria de Justiça do estado de São Paulo nesta quinta-feira.

O evento contou com a presença da secretária de Justiça, Eunice Prudente, e da secretária-adjunta, Evane Kramer.

“Todos precisam se conhecer melhor. Conversando, a gente diminui e quebra as barreiras, preconceitos e dificuldade para conversar e dialogar de uma forma aberta”, defendeu o budista, que esteve acompanhado do lama Gangchen Rinpoche, seu mestre.

A criação de um espaço de discussão permanente é um dos resultados do 2º Fórum Inter-Religioso realizado na semana passada. O lama brasileiro estudou os princípios do budismo em uma Universidade Monástica no Sul da Índia dos 12 aos 23 anos e hoje mora na Itália, onde trabalha em uma fundação e participa de centro de educação.

Confira os principais trechos da entrevista com o lama brasileiro.

O que representa a criação de um Fórum Inter-Religioso?
Há muitos anos, temos trabalhado com a importância do diálogo inter-religioso. Temos que diminuir as barreiras entre as religiões e promover uma aproximação. O fórum tem também a função de proteger qualquer religião, em minoria ou não, de problemas ou dificuldades por razões políticas, religiosas ou por preconceito. É uma oportunidade para as religiões estarem juntas, se conhecendo e se protegendo.

No Mundo, os conflitos religiosos são cada vez mais comuns, especialmente no Oriente Médio. O que pensa disso?
As guerras acontecem quando a religião é usada como pretexto. Nos conflitos, nenhuma das causas é decorrente de questões religiosas, mas sim de questões de fundo político-econômicas. Há objetivos em jogo. No Brasil, árabes e judeus convivem sem dificuldades. Não só no Brasil, mas em muitos lugares do mundo. No Oriente Médio mesmo, populações islâmicas, hindus, cristãos e judeus viveram muito tempo em harmonia. As guerras surgem por razões políticas e mundanas, nunca por razões espirituais. Pela religião, não há razões para a guerra.

Como avalia o crescimento do número de evangélicos no Brasil?
O crescimento de qualquer forma de religião é um sinal de que as pessoas se reconhecem. O crescimento de qualquer religião é positivo nesse sentido.

E o que é possível dizer sobre a violência no país?
Está havendo um grande desequilíbrio. Nossa sociedade é baseada em bens materiais, nos prazeres individuais e na imagem. Cada um está sempre fazendo de tudo para desenvolver bens materiais e satisfazer os próprios prazeres. Quando há uma grande diferença nas conquistas, há desequilíbrio e isso acaba em violência. Tudo nasce do problema social. Se a classe mais rica, mais privilegiada economicamente não tiver responsabilidade, a violência vai aumentar cada vez mais. Eu estava em São Paulo em maio.

Quando a quadrilha que atua a partir dos presídios paulistas promoveu ataques.
Sim, o sistema penitenciário de São Paulo é completamente falido. Uma pessoa que fez uma atitude que não é correta deveria estar se reeducando. Hoje, quem está dentro dos presídios fará de tudo para ter um mínimo de dignidade. Não estão corretos, quem age com violência está sempre errado. Mas é uma violência decorrente de outra violência.

Fonte: G1