O general cristão Michel Aoun, líder de um importante grupo parlamentar libanês, defendeu nesta terça-feira uma aliança com o Hisbolá, no aniversário de um ano do acordo firmado com o grupo xiita, que lidera a oposição.

“Devemos viver com os xiitas, sejam eles vencedores ou vencidos”, afirmou Aoun em entrevista publicada hoje pelo jornal “L’Orient-Le Jour”, na qual acusa os Estados Unidos de fomentarem um conflito interno no Líbano.

Segundo Aoun, principal responsável da Corrente Patriótica Livre, “os norte-americanos querem levar o Líbano a uma guerra civil para poder realizar, tranqüilamente, seus projetos na região, e, com seus preconceitos freqüentes, pensam que, se atacarem o Irã, o Hisbolá responderá”.

“Eu me pergunto se os americanos não querem criar no Líbano um novo Iraque. Por um lado, nos encorajam a buscar um acordo e, por outro, agem de modo diferente”, comentou.

“Washington tem duas políticas: uma oficial e outra oculta, que quer nos conduzir aonde não queremos ir”, disse o político cristão.

Aoun acrescentou que o acordo assinado com o Hisbolá “frustra os projetos de guerra” e que ele não visa apenas a coexistência entre os libaneses, mas também que eles vivam unidos.

Além disso, qualificou o acordo como “um projeto de paz e uma aposta no futuro do Líbano”.

O documento assinado por Aoun e o Hisbolá trata, entre outras coisas, da democracia por consenso, das reformas, dos desaparecidos da guerra, dos libaneses presos ou desaparecidos na Síria e em Israel, das relações com Damasco e os palestinos, da proteção da soberania e independência do Líbano e das armas do Hisbolá.

“Não se pode pedir ao Hisbolá que entregue as armas que utiliza há 25 anos sem contrapartida”, afirmou Aoun, que confessou que compreende que o grupo se sinta ameaçado pelos israelenses.

“Qualquer solução deve levar este temor em conta”, disse o líder cristão, antes de acrescentar que o Hisbolá poderá entregar as armas quando este medo desaparecer.

Fonte: EFE