O líder da maior seita poligâmica dos Estados Unidos, Warren Jeffs (foto), foi julgado culpado de cumplicidade de estupro por ter forçado uma menina de 14 anos a se casar com seu primo mais velho.

Warren Jeffs, que lidera a Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos do Último Dia (FLDS, sigla em inglês), enfrentava duas acusações e pode ser condenado à prisão perpétua. A data da sentença ainda não foi marcada.

Depois de 16 horas de audiência, o júri, na cidade de St. George, no Estado de Utah, considerou que Jeffs orquestrou o casamento da jovem com seu primo de 19 anos e a encorajou a fazer sexo ele, dizendo que ela iria para o inferno caso se recusasse.

Durante a audiência, a vítima, hoje com 21 anos, testemunhou dizendo que “chorou em desespero” quando disseram que ela teria de se casar com Allen Steed, em 2001, e foi encorajada a beijá-lo.

“Profeta Mórmon”

A vítima disse que o casal teve sua primeira relação sexual um mês depois do casamento. Ela conta que, em seguida, tomou dois frascos de analgésico e ficou se contorcendo pelo chão.

“A única coisa que eu queria era morrer”, disse ela à corte.

O marido, que não foi considerado culpado, disse aos jurados que foi a mulher quem iniciou a primeira aproximação sexual do casal.

De acordo com a lei do estado de Utah, jovens de 14 anos podem consentir em fazer sexo, mas não se forem seduzidos por alguém que seja três anos mais velho.

Os defendores do líder da seita argumentaram que Jeffs não poderia saber se o que aconteceu entre o casal foi estupro e que a jovem teria sido muito vaga ao relatar seus problemas sexuais a Jeffs.

O líder religioso, que se auto-proclama um “profeta Mórmon”, foi procurado pela polícia durante 15 meses antes de ser capturado, em agosto de 2006.

Ele ficou foragido depois de ter sido acusado de má conduta sexual por supostamente arranjar casamentos entre meninas menores de idade e homens mais velhos.

Ele fazia parte da lista dos dez mais procurados pelo FBI quando foi preso, durante uma batida policial perto de Las Vegas.

Caminho para o paraíso

Jeffs, que tem 70 mulheres, assumiu a liderança da FLDS nos estados do Arizona e Utah, depois que seu pai morreu, em 2002.

A seita surgiu de uma cisão, há mais de um século, da Igreja dos Mórmons, quando esta abandonou a prática da poligamia. A FLDS conta atualmente com cerca de 10 mil membros.

Os seguidores da seita acreditam que um homem deve ter pelo menos três mulheres para alcançar o paraíso. Já as mulheres são ensinadas a serem submissas ao marido.

A poligamia é ilegal nos Estados Unidos, mas as autoridades relutam em enfrentar a FLDS por medo de provocar uma tragédia similar à que aconteceu em 1993 na sede da seita Branch Davidian, em Waco, no Texas, quando 80 fiéis morreram em choques com a polícia.

Fonte: BBC Brasil