O Brasil pode ser o maior país católico do mundo, mas na campanha presidencial os candidatos buscam ajuda de outro credo cristão: o movimento pentecostal. Especialistas em religião dizem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva superou seus adversários na conquista do apoio evangélico.

Esses votos, especialmente os do conservador rito pentecostal, podem ajudar a dar a Lula a vitória já no primeiro turno, no dia 1o de outubro.

“Se você quer ser um candidato competitivo, tem de reconhecer o peso da igreja pentecostal. Seus pastores têm enorme influência entre as famílias pobres nas periferias metropolitanas, que são verdadeiros currais eleitorais,” disse o cientista político e pesquisador de religiões César Romero Jacob.

Os pentecostais oferecem uma rede de proteção social para seus fiéis, que são majoritariamente pobres. Esse ramo do protestantismo cristão é conhecido por “falar línguas” e enfatizar “a cura divina.”

“Lula fez de tudo para garantir que os votos evangélicos como um todo não caiam no colo do seu adversário”, disse Jacob, que escreveu um livro sobre religiões e padrões eleitorais no Brasil.

Segundo o Censo de 2000, 74 por cento dos brasileiros se declaram católicos — em 1980, eram 89 por cento. Nesse período, a influência das igrejas evangélicas mais do que dobrou, atingindo 16 por cento dos 185 milhões de habitantes do país.

Todos os principais candidatos à Presidência são católicos. Mas, ao contrário de algumas igrejas evangélicas, o clero católico não declarou apoio a um candidato, preferindo passar aos fiéis algumas orientações éticas e morais sobre como votar para eleger candidatos honestos.

Entre os padres, a ala mais conservadora apóia Geraldo Alckmin (PSDB), enquanto os grupos mais à esquerda, oriundos da Teologia da Libertação e das Comunidades Eclesiais de Base, estão divididos entre Lula e Heloísa Helena (PSOL).

O voto evangélico mostrou sua força em 2002, quando apoiou em peso a candidatura a presidente de Anthony Garotinho, que obteve 15 milhões de votos (18 por cento do total).

Desta vez, os evangélicos não têm candidato próprio ao Planalto. O bispo Manoel Ferreira, que preside a Convenção Nacional das Assembléias de Deus (Ministério de Madureira), com 23 mil pregadores, e o Conselho Nacional de Pastores, com 42 mil membros, disse que as entidades deram pleno apoio a Lula.

“Ele me disse numa reunião nossa neste mês que nosso apoio era tudo o que ele precisava para ganhar a reeleição no primeiro turno. Temos a sensação de que o segmento evangélico em geral apóia sua reeleição.”

Ferreira disse que os programas sociais do governo petista e as origens humildes do presidente convencem os pastores a apoiarem-no. As recentes restrições às doações eleitorais também aumentaram a importância da campanha nas igrejas.

Além disso, o vice de Lula, José Alencar, também candidato à reeleição, pertence a um partido com fortes ligações com a Igreja Universal do Reino de Deus, outra denominação pentecostal.

Alckmin por sua vez busca o apoio de outro grande grupo pentecostal, a Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Parte da imprensa diz que ele tem o apoio oficial da entidade, mas o site da Convenção afirma que seus membros estão liberados para votarem em quem quiserem.

Fonte: Reuters