Ex-Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além do apoio de militantes do PT, de sindicalistas e de integrantes de movimentos sociais, também recebeu apoio de algumas lideranças religiosas.

No comício realizado nesta sexta-feira (6), enquanto se esgotava o prazo dado pelo juiz Sérgio Moro para que Lula se apresentasse à Polícia Federal, alguns deles utilizaram a religião para falar sobre o ex-presidente.

Um desses nomes é o do pastor Ariovaldo Ramos, que esteve em cima de um carro de som ao lado de líderes católicos e também de representantes de religiões afro.

Ariovaldo é representante da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, um movimento com viés político-ideológico de esquerda que reúne cristãos de várias denominações, considerado também o maior nome brasileiro da chamada Teologia da Missão Integral.

Ele é um dos apoiadores de movimentos de esquerda e diz, por meio de seus vídeos, que há um golpe no país.

Ariovaldo Ramos publicou um vídeo criticando a ordem de prisão emitida pelo juiz Sérgio Moro, dizendo que as decisões do STF e TRF-4 “…estão levando a nação à consciência de que o pacto social, o pacto constitucional não nos rege mais”, sugerindo que as decisões judiciais não possuem legitimidade e que fazem parte de uma espécie de conspiração “geopolítica” internacional.

Missa vira comício

Na manhã deste sábado, 07, em cima de um carro de som localizado em frente ao sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo, o ex-presidente Lula participou de uma missa em homenagem à sua falecida esposa que completaria 68 anos, porém, vários católicos leigos e sacerdotes criticaram o evento por ter se convertido em um ato político e que não obedeceu às diretrizes litúrgicas da Igreja Católica.

A cerimônia foi presidida pelo Bispo Emérito de Blumenau, Dom Angélico Sandalo Bernardino, de 85 anos, um amigo de décadas do ex-presidente e que desde o início de seu episcopado deu apoio a Lula, ao Partido dos Trabalhadores e é considerado um dos mais altos representantes da Teologia da Libertação no Brasil, a mesma condenada seguidamente pelos Papas São João Paulo II, Bento XVI e o Papa Francisco.

Durante o comício em defesa de Lula, o líder judeu Nelson Nisenbaum chegou a comparar o ex-presidente a Moisés.

“Se o Lula está sendo injustiçado, o judeu está sendo injustiçado. Lula é o nosso Moisés. Ele formou o povo brasileiro. Ele nos fez cruzar o Mar Vermelho para chegar na liberdade. Viva Luiz Inácio Lula da Silva, Lula presidente”, afirmou.

Diversos líderes políticos e religiosos estiveram presentes durante a missa dedicada à esposa do ex-presidente, que acabou virando comício, inclusive o pastor Ariovaldo Ramos.

Críticas ao pastor Ariovaldo

O pastor Ariovaldo Ramos vem recebendo inúmeras críticas por seu apoio ao ex-presidente Lula.

Seguidores do pastor Renato Vargens, da Igreja Cristã da Aliança de Niterói, no Rio de Janeiro criticaram Ariovaldo Ramos.

“Ariovaldo Ramos comparou Lula com Moisés: Abriu o mar das dificuldades para o povo brasileiro passar. Uma multidão de famintos e miseráveis acompanham o molusco, ele os conduzirá a uma terra de quentinhas e cestas básicas”, comentou um internauta.

“Nada mais real aos tempos de hoje: líder que nunca foi líder porque não entendeu o verdadeiro e único líder Jesus”, analisou outro seguidor.

“Infelizmente, muitas igrejas tradicionais, hoje, estão seguindo a metodologia da TMI. Liberais e universalistas”, criticou mais um internauta.

O pastor, escritor e teólogo Yago Martins, da Igreja Batista Maanaim, conhecido também pelo canal “Dois Dedos de Teologia”, publicou em sua rede social uma foto [capa da matéria, lado esquerdo] onde Ariovaldo Ramos aparece discursando em favor de Lula.

“Esse é Ariovaldo Ramos, o maior nome da Teologia da Missão Integral [TMI] do Brasil, na sede do sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo, em ato de defesa ao condenado Lula”, escreveu Yago, criticando a atitude de Ariovaldo ao defender um político condenado por corrupção.

“Há anos, quando falávamos que TMI é nada mais que missiologia marxista e esquerdismo teológico, chamavam a gente de doido. Eu perdi convites, perdi parcerias, perdi amizades, perdi dinheiro. Fui rejeitado em grupos e editoras. Fui recebido com violência em vários ambientes.

Agora que está claro como o meio-dia, as pessoas que tentaram colocar a gente no ostracismo estão caladinhas.

Mas a gente não esquece, e estaremos aqui para lembrar todos que se encantaram com essa modinha de Missão Integral que vocês ajudaram a financiar essa palhaçada. Vocês erigiram esses líderes. Vocês são cúmplices.

Espero que estejam em arrependimento e oração”, escreveu o teólogo.

Lula foi preso na noite deste sábado, 07 de abril, após mais de 24 horas passadas do prazo dado pelo juiz Sérgio Moro para que se apresentasse à Polícia Federal (PF).

Fonte: Pleno News, Gospel + e ACI Digital