A mãe da menina de 10 anos grávida do padrasto após sofrer estupros manifestou interesse em fazer o aborto na filha, segundo a advogada do Centro Regional Especializado em Assistência Social (Creas), em Piedade, Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. Mãe e filha foram à entidade na manhã desta sexta-feira (9).

Segundo a advogada Aline Tavares, a garota chegou bastante fragilizada e mostrou dificuldades em fornecer informações. Mãe e filha terão assistência psicológica.

Segundo o código penal, a mulher tem o direito de abortar em casos de violência sexual. Nesta tarde, a menina realizará exames de saúde. O padrasto dela já está preso.

Arcebispo lamenta aborto, mas evita polêmica

O arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, lamentou a atitude tomada pela família de iniciar o processo de interrupção da gravidez da garota de 10 anos, que há dois vinha sofrendo abusos do padrasto. “A Igreja Católica, como todo mundo sabe, defende a vida em todas as instâncias. Lamento que isto esteja acontecendo. Acho que tanto a família quanto os médicos deveriam tentar salvar as duas vidas”, comentou em relato por telefone ao JC Online.

O seu antecessor, o arcebispo dom José Cardoso, se envolveu em uma polêmica com um caso semelhante, ocorrido pouco mais de um ano atrás. O religioso quis evitar a interrupção da gravidez de uma garota violentada, excomungou médicos do Centro de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), onde o aborto foi feito, e a mãe da vítima. Atualmente, a menina e sua irmã de 15 anos, também estuprada pelo mesmo padrasto e portadora de deficiência, moram com a mãe em outra cidade.

Dom Fernando, no entanto, preferiu não entrar na mesma polêmica que causou alguns desgastes a dom José Cardoso e disse que os próprios católicos são responsáveis por sua excomunhão, no momento em que tomam atitudes que vão contra o pensamento cristão. “Ninguém excomunga ninguém. É o que chamamos de excomunhão latae sententiae, ou seja, aquela que ocorre quando o católico comete o ato condenado pela religião. Quem é temente a Deus não tomaria esta atitude”, explicou.

A garota violentada descobriu a gravidez esta semana, após ser levada pela mãe para realizar um exame de ultrassonografia em decorrência de dores abdominais. O exame detectou que a gestação já estava na 16ª semana. Ao saber da notícia, a garota resolveu denunciar o padrasto e relatou à polícia os inúmeros abusos que vinha passando nos últimos dois anos. O homem foi preso e autuado em flagrante.

O processo de interrupção da gravidez foi iniciado na noite desta sexta-feira, no Cisam, por volta das 18h. O procedimento teve a autorização da mãe da garota. Os médicos ministraram uma medicação endovaginal, conhecida como Misoprostol. A menina está na enfermaria e, segundo representantes do centro médico, passa bem.

Fonte: JC online