Pesquisadores norte-americanos afirmaram nesta segunda-feira (5) que mais da metade dos adolescentes demonstram comportamentos de risco, como sexo, violência e drogas em suas páginas pessoais. A pesquisa foi baseada no site de relacionamentos MySpace.

A pesquisa mapeou 500 perfis de jovens cuja idade relatada é 18 anos, escolhidos aleatoriamente –54% deles apresentaram menções ou fotografias a sexo, substâncias ilícitas ou violência.

Segundo o trabalho, publicado na revista “Archives of Pediatric & Adolescent Medicine”, muitos jovens usam redes sociais sem perceber o caráter público delas –e a grande propensão a riscos que apresentam. Esses sites podem, no entanto, identificar os incômodos pelos quais os adolescentes passam, dizem os pesquisadores.

“A maioria dos adolescentes que possui uma conta no MySpace está expondo comportamentos arriscados ao público,” disse o pesquisador Dimitri Christakis, do Instituto de Pesquisa sobre Crianças de Seattle. O estudo foi realizado por Christalkis e por Megan Moreno, da Universidade de Wisconsin.

“O fato é que eles desconhecem os riscos de relatos desse tipo, enquanto os pais igualmente ignoram o que seus filhos estão fazendo”, afirma Christakis.

Para comprovar essa conclusão, os pesquisadores conduziram outro estudo adjacente, que questionou 190 indivíduos entre 18 e 20 anos sobre os comportamentos descritos em suas respectivas páginas no MySpace.

À metade desses jovens, os pesquisadores enviaram uma mensagem a partir do perfil no MySpace de Megan Moreno, identificado como “Dr. Meg”. No conteúdo, a mensagem trazia os riscos de revelar dados pessoais ao público e um link para um site com informações a respeito de doenças sexualmente transmissíveis.

Três meses após essa única mensagem, boa parte dos jovens retirou referências ao sexo e ao abuso de substâncias, assim como aumentou os controles de privacidade no conteúdo do perfil. O e-mail foi mais eficaz para as referências a sexo –13,7% eliminaram referências.

Christakis diz que esse tipo de informação, uma vez exibida on-line, pode expor o adolescente a maníacos sexuais. Empresas e universidades também podem verificar as páginas pessoais –e, a partir de menções sobre comportamentos de risco, criar empecilhos para os jovens no futuro.

Fonte: Folha Online