Marcelo Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal e atual prefeito do Rio de Janeiro (julho 2018)
Marcelo Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal e atual prefeito do Rio de Janeiro (julho 2018)

Três pedidos de impeachment foram protocolados essa semana contra o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), por crime de responsabilidade.

O primeiro foi protocolado pelo vereador Átila Nunes (MDB-RJ) na manhã de segunda-feira (9); O segundo foi protocolado por Isabel Lessa e pelo deputado estadual Marcelo Freixo, ambos do PSOL; e o terceiro pelo Sindicato dos Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Sisep).

Os pedidos deverão ser analisados pela Câmara de Vereadores do Rio assim acabar o recesso.

Os pedidos de impeachment foram motivados por uma série de medidas que o atual prefeito carioca tem tomado para favorecer integrantes da Igreja Universal. 

O caso mais recente foi uma reunião secreta com 250 pastores evangélicos na qual Crivella ofereceu aos fiéis vantagens e facilidades no pagamento de IPTU e no acesso à cirurgias da rede pública de saúde.

No evento, divulgado pelo jornal O Globo, Crivella ofereceu auxílio em cirurgias de cataratas e varizes para fiéis e assistência a pastores que tivessem problemas de IPTU em seus templos. Além disso, exaltou o pré-candidato a deputado federal pelo PRB, Rubens Teixeira.

O encontro, chamado “Café da Comunhão”, foi realizado no Palácio da Cidade, sede da Prefeitura, mas não constava da agenda oficial do prefeito e foi combinado por WhatsApp, em mensagem à qual o jornal O Globo teve acesso.

Segundo O Globo, os organizadores chegaram a pedir que os participantes não registrassem o encontro. Além disso, solicitaram reivindicações por escrito, relações de suas igrejas e número de fiéis.

O Ministério Público informou que a coordenação das promotorias de Justiça da Cidadania vai analisar se houve “inobservância da laicidade do Estado”, conferindo tratamento privilegiado aos fiéis de um determinado segmento religioso – o que é proibido pela Constituição e pode, em tese, configurar improbidade administrativa. As falas de Crivella também serão analisadas pela Coordenação de Saúde do MP, para a fiscalização da política de regulação do Sistema Único de Saúde (SUS).

Os três pedidos de afastamento deverão ser analisados quando a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro voltar do recesso. Porém, em vista da gravidade das acusações, vereadores do PSOL solicitaram ao presidente da Câmara, Jorge Felippe, uma sessão extraordinária na Casa antes do fim do recesso para debater o assunto.

Fonte: Carta Capital e O Globo