O candidato à prefeitura do Rio de Janeiro e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Marcelo Crivella (PRB), disse em entrevista ao jornal O Dia que a Igreja não teria envolvimento na administração municipal. “Eu não fui senador evangélico”. Para ele quando as pessoas querem desqualificar “estereotipam”.

Crivella afirmou que este é o momento mais difícil da campanha eleitoral. “Está sendo uma campanha dificílima, porque uma luta eleitoral contra a máquina é sempre complicada. O partido do governador com um candidato, o do prefeito com um candidato, os outros com mais tempo eleitoral que nós. A luta é ter-rí-vel”, disse.

Apesar de não se declarar um candidato homofóbico, ele disse que não diverge de opinião apenas por razões bíblicas. “É porque eu acho que é um caminho de amargura”. No entanto, Crivella disse que as pessoas estereotipam o que não conhecem. “No Senado, eu trabalho há seis anos com homossexuais, homens e mulheres, e jamais discriminei”.

Para o senador, sua políticas públicas justificam o voto dos eleitores gays. “Eu quero proteger ele da discriminação, quero que ele tenha saúde excelente, eu vou lutar pelo emprego dele, eu vou lutar pela educação dele, eu nunca vou roubar o imposto dele”.

Ele diz que daria autorização para eventos de candomblé, umbandistas e para a parada gay na avenida Atlântica. “Terá limpeza, Guarda Municipal, e iluminação”, completa.

Para Crivella, o crescimento da Igreja Universal na África deve muito aos exorcismos. “A Igreja cresceu muito na África exatamente por causa disso. Muitas pessoas envolvidas com espíritos”.

Ele falou o que pensa sobre os outros candidatos à prefeitura: Jandira Feghali (PCdoB), “uma mulher admirável, às vezes um pouco radical”; Eduardo Paes (PMDB), “muito jovem”; Fernando Gabeira (PV), “um homem honesto. Na mesma proporção que eu admiro sua honestidade, discordo de suas posições políticas”; Alessandro Molon (PT), “mais jovem ainda” e sobre Solange Amaral (DEM), finalizou que a democrata “carrega uma cruz pesada”.

O senador disse a Bíblia é o livro de sua vida, mas também citou “O amor no tempo do cólera”, de Gabriel García Marquez. Ao falar sobre seu filme preferido – “E o Vento Levou” -, Crivella disse que a crise no Rio de Janeiro é comparável com a de cidades africanas. “Aquela saga da guerra de secessão americana mostra uma crise que é um pouco a crise do Rio de Janeiro. A crise aqui é maior que a crise das cidades da África”.

Para ele, a discriminação do Apartheid na África representam “uma das piores facetas da alma humana, que é a discriminação descarada, aberta”. Ele disse ainda que nas caminhadas nas favelas, às vezes se esconde “para que não percebam meus olhos cheios de lágrimas”.

O candidato disse que não sente medo, que não anda de carro blindado e que não tem segurança privada, mas se diz vítima de violência. “A pior delas: minha filhinha, na minha campanha para o Senado, foi seqüestrada aqui, na Sernambetiba. Passou três horas dentro do carro. Seqüestro-relâmpago”, lembrou. “Entro e saio de todas as comunidades e digo e repito para eles: eu tenho ódio e nojo da cocaína. Ódio e nojo das milícias”.

Caso eleito, ele disse que sua primeira medida seria “mandar para a Câmara a lei do Corredor Turístico, da Zona Franca Social, do Cimento Social e um projeto para tirar crianças da rua”.

Ele disse que já pensou em fazer plástica. “Muitas pessoas se viram para mim e dizem: ‘Poxa, Crivella, você está tão cansado, tão abatido, um olhar tão cansado, tão magro, tão acabado’. Dizem com tanta constância que eu acabo acreditando”.

Fonte: O Dia