Por volta de 11 horas de ontem, durante a Marcha para Jesus de São Paulo, a dupla apareceu via satélite, direto dos Estados Unidos, onde estão em prisão domiciliar, num telão armado na Praça da Força Expedicionária, em Santana, na zona norte de São Paulo.

Pela primeira vez, o casal de fundadores da Igreja Apostólica Renascer em Cristo, Sonia e Estevam Hernandes, não esteve presente – fisicamente – na Marcha para Jesus, promovida todos os anos em São Paulo.

Eles serão julgados hoje nos Estados Unidos por desembarcar em 9 de janeiro no aeroporto de Miami portando dólares não declarados. Os Hernandes poderão fazer acordo, assinando confissão para obter mudança da pena de prisão para penas alternativas, como prestação de serviços à comunidade.

Como no ano passado, cerca de 3 milhões de pessoas participaram ontem da marcha, segundo estimativa da Polícia Militar (PM). Já os organizadores do evento evangélico anunciaram a presença de 4 milhões de fiéis.

O casal apareceu duas vezes para a multidão. Pela manhã, o apóstolo Hernandes, ao lado da mulher, pediu animação e elogiou o novo “sucesso de público” do evento.

Por volta das 16h15, Sonia e o marido oraram por 20 minutos. Depois da oração, Hernandes afirmou que o Brasil ainda será “o País mais evangélico do mundo”. A frase foi aplaudida com entusiasmo pelos fiéis.

Fernanda Rasmussen, filha dos fundadores da Renascer, viu os pais na tela e se emocionou. “Eu marcho para Jesus desde os meus 11 anos. Hoje (ontem) estou aqui com meus filhos e sei que tudo ficará bem na nossa família.” Segundo o bispo e deputado estadual José Bruno (DEM), que representava os Hernandes, os evangélicos oram todos os dias pelo fundadores da Renascer.

“Fizemos até um abaixo-assinado que está circulando pela marcha. É uma forma de manifestar nosso carinho por eles (Sonia e Estevam).” O documento, apesar de ser simbólico, sem valor jurídico, ficará guardado com a organização da marcha. Até a noite de ontem, mais de 1 milhão de assinaturas tinham sido recolhidas, afirmaram os organizadores.

Sol e trio elétrico

Durante todo o dia, 18 trios elétricos animaram os evangélicos. O sol e a temperatura elevada (os termômetros marcavam 30 graus às 13 horas) colaboraram para que a marcha ficasse lotada. “Estou aqui em nome do Senhor (Jesus)”, gritava Valdirene Franco, 35 anos, que veio de Vargem Grande, no interior do Estado. Ao lado dela, Reginaldo Godói, de 27 anos, pulava ao som do trio elétrico com uma faixa na cabeça. “Estou aqui pela terceira vez. É muito lindo ver todo mundo unido.”

Neste ano, a concentração para a marcha foi na Estação Tiradentes do Metrô, a partir de onde os evangélicos caminharam até a praça. Nos dois últimos anos o evento acontecia na Avenida Paulista, mas uma decisão do Ministério Público e da prefeitura impediu o ato religioso no local. Lá, só poderão ser realizadas a Parada Gay, no próximo domingo, o réveillon e a Corrida de São Silvestre.

“Isso não interferiu na nossa alegria. Estamos felizes de pelo menos poder estar aqui”, disse a secretária Juliana Alcantara, 25 anos, de Ribeirão Pires, na Grande São Paulo.

A carne é fraca

Para a estudante Janaina Souza, a melhor parte do evento foi quando os fundadores da Renascer apareceram. “Queremos a saída deles da prisão. A carne é fraca e no dia da prisão Jesus não estava com eles.”

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) esteve rapidamente na marcha. Constrangido com um possível repúdio da platéia, já que ele proibiu o evento na Paulista, preferiu não aparecer. Apesar do grande número de pessoas no ato religioso, a PM não registrou ocorrências graves. Sessenta pessoas tiveram pressão baixa e desmaios, mas não chegaram a ser levadas a hospitais. “O evento foi tranqüilo”, avaliou o sargento da PM Ernesto Rolland.

Fonte: Estadão