Moradores reclamam do movimento gerado na rua pela Igreja Mundial do Poder de Deus.

Ministério Público está movendo ação para interditar local por falta de itens de segurança.

A vizinhança está incomodada com o templo-sede da Igreja Mundial do Poder de Deus, na Rua Carneiro Leão, 439, no Brás, na Zona Leste de São Paulo. Com 43.000 metros quadrados, o templo recebe multidões e sobrecarrega de trânsito as ruas do entorno nos dias e horários em que há cultos. Segundo moradores ouvidos pelo DIÁRIO, essas vias ficam tomadas por uma quantidade de pessoas e automóveis que chega a paralisar as demais atividades do bairro.

“Os piores dias são terça-feira e domingo. Uma vez me disseram que havia mais de 10 mil pessoas na igreja e ainda havia gente tentando entrar”, disse a aposentada Neusa Piccioli, de 63 anos, que mora em um apartamento próximo ao templo. “A sujeira e o barulho tanto da multidão como do próprio culto atrapalham muito. O bairro fica intransitável”, reclamou Neusa.

O grande movimento de pessoas atrai camelôs e assaltantes, segundo logistas. “Nos cultos mais movimentados os ladrões fazem a festa. São dezenas de assaltos”, disse o comerciante Luiz Carlos Duarte, que tem uma loja na região. “Agora a Guarda Civil Metropolitana está coibindo, mas até recentemente havia o problema dos camelôs, que tomavam as calçadas e brigavam muito entre eles por disputa de pontos”, falou Luiz, que está no bairro há 14 anos.

A falta de estacionamento é um dos problemas que mais incomodam os moradores do entorno da igreja. “Não respeitam as garagens das casas e prédios, param na frente. Diversas vezes tive que chamar o DSV (Departamento de Operação do Sistema Viário) para guinchar veículos que travavam minha garagem”, queixou-se Luiz. “Esse templo acabou com o bairro”, disse.

[b]Ação Pública
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O trânsito de automóveis e pessoas não é o único problema do templo. O Ministério Público está movendo uma ação para fechar o local também por falta de condições de segurança. “Apesar de ser um pólo gerador de tráfego, não são cumpridas as normas básicas para minimizar o aumento do trânsito no local. Não houve reforma para evitar a poluição sonora vinda do templo. As portas existentes, de vidro, fogem dos padrões de portas corta-fogo. Sequer apresentam barra antipânico”, diz a ação movida pela promotora Gláucia Savin.

A última audiência do caso aconteceu em 14 abril e a juíza responsável pelo caso determinou que fossem investigadas as denúncias. Ainda não há previsão para a próxima audiência. A reportagem do DIÁRIO fez diversas tentativas de localizar um responsável pela Igreja Mundial do Poder de Deus para comentar o caso, mas não obteve sucesso.

[b]Igreja foi fundada em Sorocaba
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A Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD) foi fundada em 1998 em Sorocaba, a 95 quilômetros da capital, pelo pastor Valdemiro Santiago. Ex-bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, ele que adotou na ocasião o título de “apóstolo”. A igreja segue a linha neopentecostal, ramo derivado das tradicionais igrejas evangélicas pentecostais. A IMPD tem mais de 1,4 mil igrejas no Brasil e em outros países, como Japão, Estados Unidos, Portugal, África do Sul, Argentina, Colômbia, Bolívia, Uruguai, Paraguai e outros. O templo sede da IMPD da Rua Carneiro Leão existe há cinco anos e já foi interditado uma vez, em 2009.

[b]Multidão Assaltada
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Para o estagiário de administração Fábio Miquelante Vieira, de 23 anos, que mora em um prédio próximo à igreja, um dos piores problemas são os assaltos. “Fazer o caminho daqui até a estação do metrô Pedro II é sempre uma aventura quando há culto. Os assaltantes aproveitam a aglomeração e atacam todo tipo de pessoa, sem escolher muito”, falou

[b]Disputa de camelôs
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“As brigas entre os camelôs são terríveis. Até facada já ouvi dizer que teve”, disse a promotora de vendas Jeane Sabino, moradora do bairro há sete anos. Na opinião dela, o maior problema gerado pelo aporte de gente ao templo da Igreja Mundial do Poder de Deus são as disputas entre os comerciantes informais que ocupam as calçadas próximas ao local

[b]Sujeira e trânsito
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A publicitária Juliana Detilio, de 27 anos, mora em um apartamento a uma quadra da igreja e não gosta da sujeira que fica pelas ruas após os cultos. “Todo mundo do bairro reclama disso. Depois dos cultos os fiéis vão embora mas as ruas ficam cheias de papéis, sacos de salgadinho, latas de refrigerante e garrafas de água. A limpeza pública não dá conta”, afirmou.

[b]Fonte: Diário de São Paulo e Creio[/b]