Um dos monges budistas que organizaram as manifestações pacíficas reprimidas pela Junta Militar de Mianmar buscou refúgio na Tailândia para não ser detido, enquanto em seu país continua a perseguição a religiosos, informou hoje a imprensa tailandesa.

Askin Kovida, o monge mais procurado pelas forças de segurança de Mianmar cruzou a fronteira tailandesa ilegalmente na semana passada. Ele utilizou a passagem de Mae Sot, cerca de 400 quilômetros a noroeste de Bancoc, com roupas civis, documentação falsa e um crucifixo no pescoço.

O monge, acusado pelas autoridades militares birmanesas de fazer parte do grupo de jovens religiosos que organizou as manifestações a favor da democracia, planeja solicitar asilo político na Tailândia, segundo a imprensa tailandesa.

Dezenas de outros monges budistas e civis de Mianmar estão buscando refúgio na vizinha Tailândia. Eles tentam escapar da ampla operação policial em seu país para capturar pessoas que participaram das manifestações anti-governamentais.

O jornal “Nova Luz de Myanmar”, órgão de propaganda do regime militar, informou na quinta-feira que as autoridades perseguem muitos “falsos” monges budistas ligados à organização das manifestações de setembro.

“Os falsos monges que lideraram os protestos, violando dessa forma as normas religiosas, serão acusados”, afirmou o ministro de Assuntos Religiosos, general Thura Myint.

Kovida, em declarações ao jornal “International Herald Tribune”, admitiu ser o líder do grupo de 15 monges, todos na faixa dos 20 anos, que organizou as manifestações. Eles receberam ajuda econômica de três dissidentes birmaneses, cujos nomes não revelou. Disse apenas que são um poeta, um ator e um comediante.

Segundo Kovida, a idéia das mobilizações veio de vídeos sobre a revolta popular na antiga Iugoslávia para derrubar Slobodan Misolevic.

O regime de Mianmar admite que 10 pessoas morreram durante a repressão dos protestos e 3 mil manifestantes foram detidos. Mas o relator da ONU para Mianmar, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, diz que o número é maior. Fontes da dissidência calculam 200 mortos e 6 mil detidos.

Fonte: Folha Online