Os moradores de Mogadíscio foram vítimas de crimes de guerra cometidos por tropas etíopes, por soldados do governo somali e por rebeldes islâmicos durante um ano, situação “vergonhosamente” ignorada pelo mundo, disse a entidade Human Rights Watch na segunda-feira.

O grupo disse que o Exército etíope bombardeou indiscriminadamente áreas densamente povoadas, saqueou hospitais e assassinou civis.

Já as forças do governo somali, que lutam ao lado dos etíopes, não alertaram os civis nas zonas de combate, saquearam propriedades, impediram o acesso da ajuda e maltrataram dezenas de presos, segundo a ONG.

Os militantes islâmicos, por sua vez, colocaram os civis em risco ao se misturar no meio deles, e cometeram crimes como queimar inimigos vivos, de acordo com o relatório da entidade, que tem sede em Nova York.

“As partes beligerantes demonstraram um desrespeito criminoso pelo bem-estar da população civil de Mogadíscio”, disse o diretor-executivo da ONG, Ken Roth. “Os métodos ilegais de guerra usados por todas as partes beligerantes…tiveram um saldo catastrófico sobre civis.”

A capital da Somália registra confrontos desde a invasão etíope, com aval do governo nacional, que expulsou os militantes islâmicos que controlavam Mogadíscio, no final de 2006. O estudo diz que entre 400 e 1.300 civis morreram em duas ondas de violência, e que outros 400 mil fugiram da cidade.

Os governos etíope e somali contestam os números e negam que tenha havido abusos.

“Como de costume, a Human Rights Watch se envolve em sua agora conhecida fabricação (de fatos) e em desinformar o mundo com contos de fada não-substanciados”, disse à Reuters Bereket Simon, assessor do governo etíope.

Para Abdi Haji Gobdon, porta-voz do governo somali, o relatório se baseia “em impressões erradas da realidade no terreno”.

A Human Rights Watch reserva termos duros também para a comunidade internacional. “A indiferença do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas a esta crise só agravou a tragédia. É um conflito que foi marcado por numerosas violações da lei humanitária internacional, recebidas com vergonhoso silêncio por parte de importantes governos estrangeiros e instituições internacionais”, disse Roth.

Atualmente, a única força de paz presente no país é um contingente de 1.600 ugandenses, com mandato da União Africana, que segundo o relatório de pouco serve na proteção dos civis.

A entidade estima que haja 30 mil soldados etíopes na Somália, ao lado de cerca de 5.000 soldados do governo local, combatendo de 500 a 700 militantes.

Fonte: Reuters