À medida que operadores financeiros sofrem com os tempos turbulentos de Wall Street, algumas pessoas estão se voltando para uma antiga fonte de consolo: a religião.

Líderes religiosos disseram que na última semana a presença aumentou nos encontros da hora do almoço no distrito financeiro de Nova York, com muito mais pessoas em trajes de negócios que o habitual.

“A crise econômica financeira é um lembrete de que nós não podemos colocar nossa fé nas riquezas, de que nós não podemos colocar nossa fé em dinheiro”, disse o reverendo Mark Bozzuti-Jones da Trinity Church Wall Street, em seu sermão da hora do almoço na sexta-feira, que ele dedicou à crise financeira.

Muitos homens de terno e gravata e mulheres em trajes de negócios estavam entre as dúzias de pessoas na igreja Episcopal, que foi atingida por escombros dos ataques ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001.

A igreja, que normalmente atrai turistas e poucos operadores financeiros, experimentou um aumento no número de visitantes nesta semana, disse Bozzuti-Jones. Nos últimos dias, ele recebeu pedidos de ajuda para pagar o aluguel daqueles que perderam seus empregos.

“As pessoas estão somente se sentando lá, rezando ou chorando e estão definitivamente exaustas. Está realmente havendo um aumento no número de pessoas que vêm aqui”, disse o reverendo em sua sala após o horário de serviço.

A igreja está realizando workshops e seminários especiais durante as próximas semanas, incluindo “lidando com o stress em tempos incertos” e “transições no percurso da carreira”.

A apenas alguns quarteirões de distância, a St. Peter’s Church tem visto “um leve nervosismo nas pessoas vestidas com ternos”, disse o padre Peter Madigan. A igreja católica St. Pete’s exibe uma cruz encontrada nos escombros de 11 de setembro.

“Nos últimos dois dias, havia forte ansiedade e agitação”, disse Madigan. “A situação que enfrentamos hoje pelos padrões econômicos é muito incerta, um terrirório desconhecido, e a fé vai nos ajudar a lidar com essas situações.”

A sinagoga de Wall Street está abrindo suas portas ao anoitecer, a partir desta semana, para atender as pessoas de Wall Street. Mas antes da agitação das pessoas na última semana, o rabino Meyer Hager disse que ele notou uma mudança em seus frequentadores regulares.

“Eu posso ver nos rostos de certas pessoas que vêem aqui, quem são as pessoas comuns – alguns funcionários da AIG e de outras grandes instituições bancárias. Eu posso ver a expressão de forte preocupação”, disse.

Ele mencionou que a sinagoga foi fundada em 1929, o ano da quebra de Wall Street.

Lou Janicek, que trabalha como consultor financeiro em Wall Street, disse que não considera frequentar reuniões religiosas, mas disse que Wall Street vai se beneficiar se as pessoas aplicarem no local de trabalho as mesmas condutas que aprenderam na igreja.

“O que você faz no trabalho importa tanto quanto se você frequenta regularmente uma igreja, uma sinagoga ou o que for”, disse Janicek, que foi criado como cristão. “Se você é um contador ou se você se encontra em uma situação antiética, você não pode simplesmente assistir e deixar as coisas acontecerem – ou você terá uma outra Enron.”

Fonte: Reuters