Mark White, o pastor sênior da Assembleia de Deus cristã, disse que “a crença de Romney é em grande parte de acordo com a dos evangélicos”.

Há quatro anos, a crença mórmon de Mitt Romney foi motivo de considerável preocupação, se não de controvérsia, entre muitos eleitores republicanos na Carolina do Sul, um Estado onde muitos eleitores são cristãos evangélicos e um que é conhecido por sua política implacável.

Restando dois dias para a primária deste ano da Carolina do Sul, a questão da fé de Romney não desapareceu, apesar de não ser tão predominante quanto foi em 2008. Desta vez os republicanos da Carolina do Sul parecem mais pragmáticos a respeito da escolha do candidato que acreditam ser mais adequado para derrotar o presidente Barack Obama, consertar a economia e promover os valores republicanos, segundo entrevistas com dezenas de eleitores, analistas, autoridades eleitas e líderes religiosos.

Para alguns, o mormonismo de Romney se tornou uma preocupação menor do que o liberalismo de Obama nos últimos quatro anos.

Nesta cidade no sopé dos Montes Blue Ridge, em uma área que um grande motor manufatureiro para o Estado e um elo forte no Cinturão da Bíblia, Adam Crittenden Bach, 32 anos, um advogado e cristão evangélico, disse que apoiou John McCain na última eleição, mas pretende votar em Romney no sábado. Em 2008, Bach duvidava que a base conservadora votaria em um mórmon e ele considerava McCain o candidato mais forte na questão de segurança nacional.

“Mas hoje, eu acho que a base está muito mais à vontade com a questão do mormonismo, e isso ajudou em minha decisão de apoiar Romney”, disse Bach. “O que me empolga a respeito dele é sua experiência no mundo corporativo e seu reconhecimento de que o governo federal precisa ser reduzido pela metade e reorganizado.”
Louise Quinn, uma decoradora semiaposentada de 81 anos de Greenville e uma cristã conservadora, disse que decidiu apoiar Romney devido à sua posição agressiva na política externa. O mormonismo dele é irrelevante, ela disse. “Se ele fosse ateísta isso não me importaria”, disse Quinn, que disse ter votado em McCain em 2008.

Naquela primária, Romney terminou em quarto, obtendo pouco mais de 15% dos votos. McCain venceu com mais que o dobro disso, em uma disputa que foi marcada pela troca de acusações injuriosas. Um mês antes da votação, vários milhares de cidadãos da Carolina do Sul receberam cartões de Natal falsos supostamente enviados por Romney, endossando a poligamia e que alegavam falsamente terem sido enviados por um templo mórmon em Boston.

Hoje, Romney lidera nas pesquisas a disputa republicana, mas sua campanha está se precavendo em um Estado onde cerca de 60% dos eleitores republicanos se identificam como sendo cristãos evangélicos.
O reverendo Brad Atkins, presidente da Convenção Batista da Carolina do Sul, que é composta de cerca de 2.100 igrejas, não se mostrou entusiasmado em discutir a candidatura de Romney na primária, mas notou que votaria nele na eleição geral, caso seja o candidato que venha a enfrentar Obama.

“Não dá para separar o aspecto espiritual de um homem do aspecto político”, disse Atkins. “A essência de quem somos é encontrada em nossas crenças espirituais.”

Andy Sherman, 34 anos, o proprietário de uma empresa de construção em Laurens, apoiou Mike Huckabee, um pregador batista e ex-governador do Arkansas, quatro anos atrás. Ele disse que planeja votar em Newt Gingrich no sábado e expressou desconfiança a respeito da fé de Romney e da visão de Deus da Igreja Mórmon.

“Eu prefiro ter um presidente que adore o mesmo Deus que eu”, ele disse.

Mary Beth Morgan, 51 anos, uma assistente legal e evangélica de Simpsonville, expressou uma posição semelhante e disse estar indecisa em quem votar. “Se der meu apoio a alguém, eu quero que seja uma pessoa alinhada em grande parte aos meus valores e crenças em Cristo, e como Romney é um mórmon, este é um dos motivos para ele não ser minha primeira escolha”, disse Morgan.

Os mórmons não têm grande presença na Carolina do Sul. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, o nome formal da seita, diz que menos 1% da população do Estado, ou quase 37 mil pessoas, é mórmon.

Mark DeMoss, um alto conselheiro de Romney, disse que diferente da última eleição, a campanha não está cortejando os líderes evangélicos de modo organizado.

“Não há um comitê de fé ou valores, nem nada assim, porque da última vez nós enfrentamos uma batalha morro acima com os conservadores religiosos, já que ele era em grande parte desconhecido e precisava ser apresentado”, disse DeMoss.

De fato, Romney tem exibido algumas virtudes mórmons durante a campanha. “Eu acho que o país se beneficiaria com uma boa dose de valores mórmons, como o compromisso com o casamento e a família, e uma boa ética de trabalho e integridade”, disse DeMoss.

E em Greer, Dee Benedict, uma republicana e cristã evangélica de 66 anos, passou os últimos anos trabalhando para promover o apoio a Romney entre os cristãos conservadores no Estado. Na semana passada, a campanha lançou uma propaganda de rádio que dizia: “Hoje, os cristãos conservadores estão apoiando Mitt Romney porque ele compartilha os valores deles: a santidade da vida, do casamento e a importância da família.”
Ela também enviou por correio um panfleto intitulado “Conheça Mitt… Fé. Família. Pátria”, que trata de sua vida religiosa, mas sem mencionar o mormonismo. Sob o título “Permitindo que a fé seja sua guia”, o panfleto diz: “Um homem de fé profunda e permanente, Mitt frequenta a mesma igreja por toda sua vida”.

Mark White, o pastor sênior da Assembleia de Deus cristã, uma igreja pentecostal em Greenville, disse que “a crença (de Romney) é em grande parte de acordo com a dos evangélicos”.

“Eu acho que Mitt é tão forte quanto qualquer evangélico em qualquer das questões, como ser pró-vida e na definição do casamento como sendo entre um homem e uma mulher”, disse White, que conheceu Romney e sua esposa há quatro anos e o apoia desde então.

Ralph Reed, o presidente da Coalizão Fé e Liberdade, disse que o mormonismo de Romney não chega a ser um obstáculo para ele na Carolina do Sul, porque a questão foi explorada e debatida em 2008.

“A novidade da questão do mormonismo já passou, após ter sido plenamente debatida da última vez, e as pessoas não estão mais interessadas nisso como um assunto”, disse Reed. “Com o desemprego elevado na Carolina do Sul, os eleitores conservadores estão mais concentrados em empregos e na economia, e Romney pode falar com credibilidade sobre esses assuntos.”

Outros apontaram que os eleitores elegeram Nikki R. Haley, uma indiana-americana e sikh que virou metodista como governadora em 2010. Haley, uma republicana, está apoiando Romney.

Dick Harpootlian, presidente do Partido Democrata da Carolina do Sul, disse que a aceitação de Romney e o fato de que um republicano negro, Tim Scott de Charleston, foi eleito para o Congresso pela Carolina do Sul, em 2010, indicam que um novo pragmatismo pode estar se firmando.

“Isso sugere que a mente dos cidadãos da Carolina do Sul não é tão agrilhoada pela religião e raça como costumava ser, e que podemos debater políticas mais plenamente”, ele disse.

Ben Few, um evangélico de 66 anos que é dono de uma farmácia em Spartanburg, disse que apoiou Obama na última eleição, mas agora está apoiando Romney porque ele tem a sagacidade empresarial para recuperar a economia e adotaria uma abordagem moderada.

“Eu sinto que Romney apoiaria empreendedores de classe média como eu contra as grandes empresas”, disse Few. Quanto a Obama, ele acrescentou, “parece que ele está perdido diante de muitas coisas e distraído e fora de contato com o que se passa abaixo dele”.

[b]Fonte: The New York Times[/b]