Advogado do padre Riccardo Seppia, declarou que pedirá “um novo interrogatório nos próximos dias.

O padre Riccardo Seppia, preso no sábado (14) por abusar sexualmente de um menor de idade e por posse de drogas, usou seu direito de permanecer em silêncio no primeiro interrogatório sobre o caso realizado no presídio de Marassi, na Itália.

Ao sair da audiência, seu advogado, Paolo Bonanne, declarou que pedirá “um novo interrogatório nos próximos dias”, mas só depois de ler os documentos da acusação. “Também temos dez dias para fazer um recurso ao Tribunal de Riesame”, acrescentou.

Ele atestou que seu cliente “está pronto para assumir sua responsabilidade e a colaborar com os juízes” e “está tranquilo, presente e lúcido”. O sacerdote foi interrogado hoje pela juíza de instrução Annalisa Giacalone e pelo procurador Stefano Puppo.

O Vaticano, que anunciou hoje às conferências episcopais de todo o mundo as primeiras diretrizes sobre como tratar de casos de pedofilia, como esse, aproveitou para elogiar a postura do cardeal Angelo Bagnasco, arcebispo de Gênova, que expulsou Seppia da cúria local assim que este foi detido.

Segundo o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, a intervenção de Bagnasco, que também é presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), no caso foi “competente, tempestiva e foi também muito apreciada pela opinião pública italiana, que fez exatamente aquilo que se podia fazer imediatamente nesta situação”.

Ele acrescentou que a expulsão de um padre acusado de crimes sexuais é de “competência do bispo da diocese, toca a ele intervir, e é isso que fez Bagnasco no último sábado”.

Lombardi, que apresentou hoje o documento produzido pela Congregação para a Doutrina da Fé com as novas diretrizes, afirmou que o Vaticano recomenda às dioceses “encorajar e enfrentar tempestivamente e eficazmente o problema com indicações claras, orgânicas e adaptadas às situações locais, de acordo com as normas e as autoridades civis”.

De acordo com o porta-voz da Igreja Católica, a circular “convida a preparar as linhas guias” com as quais ele manifestou esperar que a CEI também leve “em consideração” e trabalhe.

Ele ressaltou que o recente caso ocorrido na cúria de Gênova, “um caso no qual o sacerdote errou gravissimamente”, indica que é preciso avaliar “sobretudo a dimensão dos candidatos ao sacerdócio, avaliar se durante a formação nos demos conta ou se era possível se dar conta ou não” de uma possível tendência para cometer abusos.

O padre Piercarlo Casassa, de 73 anos, que teve contato com o padre Seppia quando jovem, contou, em entrevista por telefone à Ansa, que há anos ele já havia notado no sacerdote “alguma coisa estranha”, mas preferiu não fazer acusações diretas, caracterizando-o como um padre “atormentado”.

“Esta história é muito triste. O encontro com aquele jovem padre foi uma das piores experiências da minha vida. Ele se apresentava à paróquia à tarde, depois de ter dormido toda a manhã, pois desaparecia e ficava fora a maior parte da noite”, disse.

[b]Fonte: Folha Online[/b]