Em entrevista exclusiva ao portal Terra, o padre Marcelo Rossi contou sobre o desconforto inicial para convidar Belo a participar do seu novo projeto, sobre a expectativa de vendas e para onde deve ser revertido o dinheiro.

Sorridente e todo de preto, com exceção do colarinho romano, padre Marcelo Rossi chegou à pequena sala da Cúria da Diocese de Santo Amaro na tarde de quinta-feira para falar sobre seu novo CD, lançado na semana passada.

Após mostrar as fotos do encarte do álbum, gravado durante o show Paz Sim, Violência Não, em São Paulo, no final de abril, e ressaltar a quantidade de pessoas presentes na platéia – cerca de três milhões – padre Marcelo comentou as participações especiais e disse que viveu um “conflito pessoal” ao escolher Belo.

“Eu como ex-militar não aceitaria o Belo, mas como padre acho que ele merece uma segunda chance e já está pagando pelo que fez. A justiça de Deus é outra”, explicou o padre, que completou 14 anos de sacerdócio.

O cantor participou do show por meio de um telão colocado no palco, já que não recebeu autorização judicial para deixar a prisão onde cumpre pena por associação ao tráfico de drogas, no Rio.

Além de Belo, outros 21 artistas fizeram parte do trabalho que comemorou os dez anos de evangelização do padre Marcelo. Entre eles, Ivete Sangalo, Hebe Camargo, Daniel, Leonardo, Bruno & Marrone, Paulo Ricardo e Cláudia Leitte.

Todos foram convidados pelo próprio padre. “Os escolhi porque são meus amigos e porque temos empatia. Hebe Camargo é uma mãe para mim, a Xuxa é minha irmã. Todos são próximos a mim.”

Um show em dois CDs

O show Paz Sim, Violência Não teve sete horas de duração no autódromo de Interlagos, em São Paulo, e deu origem a dois CDs e DVDs.

O primeiro CD foi lançado na última sexta-feira e o segundo está previsto para chegar às lojas no dia 13 de julho. Além deles, o registro do show na íntegra estará em dois DVDs que serão divulgados ainda este ano.

Padre Marcelo Rossi garante que nada foi cortado do show, nem os momentos em que chora e não consegue cantar. “Eu estava muito emocionado, principalmente por causa do povo que lotou o lugar. Foi fantástico.”

Segundo ele, nada foi gravado em estúdio para complementar o CD como aconteceu em seu primeiro trabalho, que tinha como carro-chefe a música Erguei as Mãos, sucesso no Brasil.

“O produtor disse para mim que não mexeria em nada porque eu sou assim. Ele me disse: ‘padre, você é emoção e é isso que eu quero passar'”, contou.

Evangelização

Padre Marcelo Rossi disse que toda a verba arrecadada com a venda dos CDs será revertida para a construção do novo santuário Theotókos – Mãe de Deus, localizado em Interlagos, que tem projeto arquitetônico de Ruy Othake.

“Este CD é meu, está no meu nome e toda a verba arrecadada com ele irá para a construção do novo santuário que deve ficar pronto em 2010. Eu não sei quanto recebo com a venda porque vai tudo para uma comissão que cuida disso. Não vejo um centavo”, garantiu.

Para que a venda seja satisfatória e atinja todas as classes sociais, o sacerdote negociou com a gravadora para que o valor de venda não ultrapassasse R$ 19,90, valor que considera justo.

Padre Marcelo pretende guardar estes novos CDs por considerá-los “divinos e perenes”. Este será o único trabalho que ele terá em mãos, já que os sete CDs anteriores não foram arquivados.

“Nunca guardei nenhum dos CDs que fiz, nem o primeiro. Mas este estará sempre comigo e vou pegar a dedicatória de todos os artistas que participaram. A primeira foi de Paulo Ricardo e farei isso com todos.”

Fonte: Terra