É possível fazer sessões de psicoterapia a R$ 1,00 na Catedral Metropolitana de São Sebastião, em Ribeirão Preto, a 319 km de São Paulo. O serviço foi idealizado pelo pároco da Catedral, padre Francisco Zanardo Moussa, o Chicão.

– Após assumir a Catedral constatei que muitas pessoas necessitavam não apenas de aconselhamento espiritual, mas de algo mais – explica padre Chicão.

Convidando psicólogas freqüentadoras das missas, ele cedeu salas para o atendimento e a demanda surpreendeu.

– Comecei há um ano, em julho de 2006, apenas em meio período – explica a psicóloga Giuliane Karina Baioco, 29 anos.

Formada pela Unip, ela, que já atuou nos setor de oncologia do HC, tem hoje a companhia da colega Vanessa Guedes, 25 anos, formada pela Unaerp.

O atendimento é de terça a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h. Vanessa atende crianças, adolescentes e adultos. Giuliane, adolescentes e adultos. As sessões de 50 minutos, que em clínicas particulares custam até R$ 250 saem no mínimo R$ 1,00 e no máximo R$ 30,00.

– O custo depende da condição financeira do interessado – explica Giuliane, que fazia atendimento gratuitos mas passou a cobrar por determinação do pároco, para quem “quando é de graça, as pessoas não dão o devido valor”.

Segundo a psicóloga, as questões mais comuns entre os adolescentes envolvem conflitos de relacionamento entre filhos e pais, dificuldades de aprendizagem e dúvidas relacionadas à orientação sexual.

O sucesso do atendimento foi tal que hoje as psicólogas da Catedral atendem até pessoas da região, que ficam sabendo da psicoterapia nas missas.

– Existe uma espécie de troca. Quando constatamos que a pessoa necessita apenas de orientação religiosa, a encaminhamos aos padres – explica Giuliane.

Segundo a psicóloga Giuliane Baioco, o público alvo do serviço de psicoterapia da Catedral Metropolitana são pessoas com problemas de fundo emocional, para as quais apenas o aconselhamento espiritual não basta.

Ela conta que, entre os adultos, o que mais aparece são pessoas com doenças psicossomáticas.

– Imagine uma pessoa desempregada, em dificuldades financeiras. A situação gera um estresse muito grande, que pode resultar numa gastrite. Fazemos então o encaminhamento a um especialista da área – explica Giuliane.

Ela diz que são freqüentes, também, os casos de forte depressão.

– Se percebemos que a psicoterapia não será suficiente, orientamos a pessoa a procurar um psiquiatra – comenta.

Giuliane conta que esteve no Conselho Regional de Psicologia, que aprovou a iniciativa da Catedral em oferecer psicoterapia a custos acessíveis à população de baixa renda.

Fonte: O Globo Online