Os padres de São Paulo são a favor de dar conselhos sobre sexo a seus fiéis. Eles aprovam o livro do padre polonês Ksawery Knotz, autor de “Sexo como você não conhece – Para casais casados que amam a Deus”, sobre dicas de sexo para casais.

Mas os religiosos ouvidos pelo jornal Diário de S.Paulo dizem que cada padre tem sua própria maneira de orientar homens e mulheres.

Knotz fez sucesso com o livro, que já vendeu cinco mil exemplares, Knotz administra um site em inglês e polonês com textos e conselhos sobre o tema. Apelidado de ‘kama sutra católico’, em referência às técnicas indianas de posições sexuais, o livro ensina que sexo pode ter alegria e ‘posições atraentes’. A Polônia já teve um papa (João Paulo II, de 1978 a 2005), e agora faz sucesso com Knotz, um monge franciscano que defende o sexo ‘cheio de fantasia’.

– Ele pode escrever e dar orientação aos casais sobre o ato sexual. Mas, dentro de quatro paredes, cada um decide o que faz, desde que não seja de forma doentia ou violenta – diz o padre Luiz César Bombonato, de 44 anos, pároco da Capela de Santo Expedito, no bairro do Jaçanã, zona norte da capital.

O padre Marcelo Alves dos Reis, de 39 anos, da Paróquia de São Judas Tadeu, zona sul da capital, explica que é comum casais irem à igreja para pedir conselhos sobre suas relações sexuais.

– Temos o curso para noivos. Quando é um grupo maior, não entramos em pormenores. Isso só acontece se eles precisam de uma orientação individual.

Para o padre Juarez Pedro de Castro, secretário de comunicação da Arquidiocese de São Paulo, o livro de Knotz é ótimo para desmistificar questões que são tabus para fiéis.

– É interessante, fala do propósito do sexo no casamento de um modo claro: o sexo é para trazer prazer à união e consolidar o casamento.

‘Eles não têm que palpitar’

Para a gerente comercial Rose Aquino, de 35 anos, que vai todas sexta-feira à missa na Paróquia de São Judas Tadeu, a atitude do padre polonês está errada.

– Sou contra eles (os padres) darem conselhos sobre sexo. O que eles não fazem, eles não têm que comentar, nem dar palpite – diz.

Já a aposentada Sebastiana de Souza, de 67 anos, que há mais de cinco anos frequenta a mesma paróquia, não vê problema em padre dar conselho sobre a vida sexual aos fiéis.

– Ele não precisa ter vida sexual para falar sobre o assunto. E também acho que o sexo deveria ser aprovado antes do casamento.

Para o ex-seminarista Tony Robson Ferreira Jardim, de 18 anos, os padres têm autoridade para falar de sexo. Ele desistiu de ser padre em novembro do ano passado. Há seis meses, namora com Bruna do Carmo Santos, de 16 anos, com quem pretende se casar.

– Passei três anos convivendo com padres. Eles podem falar sobre sexo mesmo sem praticá-lo. Concordo com o que esse padre polonês está falando. O sexo, depois do casamento, é o símbolo da união entre o casal, e deve ser aproveitado – defende.

Fonte: O Globo online