O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas começou hoje um tenso debate sobre a situação na Faixa de Gaza, solicitado de forma urgente pelos países-membros muçulmanos, que tentam conseguir uma condenação de Israel por sua última ofensiva, que matou 125 pessoas.

Durante as discussões, o representante do Egito, Sameh Shoukry, em nome do grupo africano, fez uma dura crítica à alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Louise Arbour, por ter reagido à ofensiva israelense apenas seis dias depois, quando já havia mais de cem vítimas, e por “equiparar o agressor à vítima”.

Segundo o projeto de resolução apresentado pelo Paquistão em nome do grupo islâmico, o Conselho “condena os persistentes ataques militares israelenses e incursões na ocupada Faixa de Gaza, que mataram 125 palestinos e feriram vários civis palestinos, inclusive mulheres, crianças e bebês”.

Também denuncia o bombardeio por Israel de casas palestinas e o fato de este país ter infligido uma “punição coletiva” a toda a população civil. O texto se refere ainda ao lançamento de foguetes pelos militantes palestinos contra o território israelense, “que matou dois civis e deixou alguns feridos no sul de Israel”. Segundo fontes do Conselho de Direitos Humanos, a votação pode acontecer hoje ou amanhã.

Apesar da inclusão do parágrafo sobre os ataques das milícias palestinas contra o sul de Israel, em uma tentativa de conseguir respaldo dos países europeus à resolução, as diferenças e a política estiveram hoje no centro dos debates.

O embaixador egípcio, em nome do grupo árabe, acusou o “mundo civilizado” de observar o massacre contra os palestinos e disse que “a verdade vergonhosa é que muitas partes (ao longo da atual ofensiva) tomaram a liberdade de igualar a vítima ao agressor e enfatizar o direito de defesa de Israel”.

“Lamentamos que acusem os civis em qualquer lugar, mas temos direito a nos perguntar se o lançamento de foguetes justifica a represália indiscriminada com bombardeios pesados e mísseis de alta precisão durante mais de nove dias consecutivos”, destacou.

Também acusou Arbour de não apenas ter igualado a vítimas aos agressores, mas de ter “condenado” as práticas israelenses por um lado e “condenado fortemente” o lançamento de foguetes palestinos por outro, em sua primeira e tardia reação à crise.

“Queremos que nos expliquem por que esses foguetes são uma clara violação da lei humanitária internacional, enquanto as atrocidades israelenses são apenas uso desproporcional da força”, declarou.

O discurso do embaixador da Eslovênia, Andrej Logar, em nome da União Européia (UE), foi na direção criticada pelos árabes. Após pedir “tanto a Israel quanto à Autoridade Nacional Palestina (ANP) o respeito aos direitos humanos”, Logar disse que os europeus condenam “ataques indiscriminados com foguetes contra áreas civis israelenses. O terrorismo deve ser condenado em todas as suas formas, e seus responsáveis, levados à Justiça”. O representante europeu acrescentou que a UE está profundamente alarmada “pelas recentes operações militares israelenses que põem a população civil palestina em perigo”.

Fonte: EFE