Comunicado afirma que instituição financeira “vai continuar fornecendo serviços especializados à Igreja Católica em todo o mundo”.

O papa Francisco aprovou uma proposta de reforma para manter em atividade o Instituto para as Obras de Religião (IOR), o Banco do Vaticano, encerrando um ano de especulações sobre qual seria o futuro da instituição financeira, mergulhada em um impressionante rol de denúncias de corrupção e lavagem de dinheiro. O pontífice admitia a possibilidade de fechar o IOR se não conseguisse reformá-lo.

Um comunicado divulgado pelo Vaticano nesta segunda-feira afirma que “o santo padre aprovou uma proposta sobre o futuro do IOR, reafirmando a importância de sua missão pelo bem da Igreja, da Santa Sé e do Estado do Vaticano. O banco vai continuar servindo com prudência e fornecendo serviços especializados à Igreja Católica em todo o mundo”.

A proposta com reformulações para a instituição foi um trabalho realizado por várias comissões e pelo cardeal australiano George Pell, que comanda a Secretaria de Economia, espécie de ministério criado em fevereiro para coordenar e supervisionar todas as atividades econômicas e administrativas da Santa Sé. As mudanças sugeridas, no entanto, não foram detalhadas no comunicado do Vaticano.

O porta-voz da instituição financeira, Max Hohenberg, afirmou que a decisão do papa “representa um grande reconhecimento da nossa missão e do trabalho duro realizado ao longo dos últimos doze meses”. Ele listou como prioridades da instituição trabalhar para melhorar a integração do IOR com as diversas entidades do Vaticano, introduzir melhorias operacionais e completar a análise de todas as contas realizada por uma empresa de consultoria americana.

Em janeiro, o pontífice mudou a cúpula do Banco do Vaticano, em um passo decisivo para consolidar as reformas que comanda na estrutura da Igreja. Francisco substituiu quatro cardeais que haviam sido nomeados por Bento XVI, incluindo o arcebispo dom Odilo Scherer. Também deixou a comissão que supervisiona a instituição o ex-secretário de Estado do Vaticano Tarcisio Bertone.

Fundado em 1942, o banco do Vaticano teve a imagem seriamente abalada a partir de maio de 2012, quando seu presidente, Ettore Gotti Tedeschi, perdeu o posto sob acusações de irregularidades. As mudanças na instituição começaram a ser implementadas no ano passado, incluindo o fechamento de centenas de contas, a criação de regras restritas de combate à lavagem de dinheiro e a investigação de atividades suspeitas. No ano passado, o banco passou a ser presidido pelo alemão Ernst von Freyberg, um dos últimos nomeados por Bento XVI antes de sua renúncia, em fevereiro de 2013.

[b]Fonte: Veja.com[/b]