O papa Bento 16 disse à presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, nesta quarta-feira, que políticos e deputados católicos não podem apoiar o aborto, reforçando a posição do Vaticano sobre um tema que divide a população norte-americana.

Pelosi, que é católica e defende o direito da mulher poder escolher abortar ou não, foi acusada por bispos norte-americanos de distorcer os ensinamentos da Igreja sobre o aborto.

“Sua Santidade aproveitou a oportunidade para falar sobre as exigências da lei natural e moral e o consistente ensinamento da Igreja sobre a dignidade da vida humana desde a concepção até a morte natural”, disse um comunicado do Vaticano.

O documento afirma que o ensinamento “ordena que todos os católicos, e especialmente legisladores, juristas e os responsáveis pelo bem comum da sociedade, trabalhem em cooperação com todos os homens de boa vontade na criação de um sistema justo de leis capazes de proteger a vida humana em todos os estágios de seu desenvolvimento”.

Considerada uma das mulheres mais poderosas dos EUA, Pelosi encontrou o papa rapidamente no meio de uma visita à Itália, país de origem de sua família.

Mais tarde, Pelosi divulgou um comunicado, mas não mencionou a questão do aborto, dizendo ter tido a chance de “louvar a liderança da Igreja na luta contra a pobreza, a fome e o aquecimento global”.

Durante a campanha presidencial dos EUA, bispos norte-americanos acusaram Pelosi e o então senador Joe Biden, agora vice-presidente, de distorcer o ensinamento da Igreja sobre o aborto. Biden também é católico. Ambos disseram que o aborto é uma decisão pessoal.

Um mês antes da eleição, o arcebispo norte-americano Raymond Burke disse que o Partido Democrata arriscava “transformar-se em um ‘partido da morte'” por causa de suas escolhas sobre questões bioéticas e sobre o aborto.

Católicos conservadores elogiaram o arcebispo, mas outros acusaram o Vaticano de tentar interferir na eleição.

Pelosi enfrentou uma chuva de críticas dos católicos conservadores em agosto, quando disse em um programa de televisão que a questão sobre exatamente quando a vida começa “não deveria ter um impacto no direito de escolha da mulher.”

Ela afirmou que a questão sobre quando a vida começa ainda era “um assunto de controvérsia” na Igreja e que “Deus nos deu, a cada um de nós, o livre arbítrio e a responsabilidade de responder por nossas ações”.

Alguns dias depois da posse, o presidente Barack Obama, com o apoio de Pelosi, reverteu uma proibição do governo Bush para o financiamento de grupos no exterior que fornecem serviços de aborto. Autoridades do Vaticano criticaram a mudança.

Fonte: Reuters