Um cardeal importante do Vaticano condenou a construção de muros entre nações para afastar imigrantes e disse que o plano de Washington para construir uma cerca na fronteira entre Estados Unidos e México é parte de um “programa desumano”.

O cardeal Renato Martino fez os comentários em uma entrevista à imprensa para apresentar a mensagem do papa Bento 16 para o Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados, em que o pontífice pede mais leis para ajudar na integração dos imigrantes.

“Falando em fronteiras, eu lamentavelmente devo dizer que em um mundo que celebrou a queda do muro de Berlim, novas paredes estão sendo construídas entre bairro e bairro, cidade e cidade, país e país”, disse Martino, chefe do Conselho de Justiça e Paz do Vaticano.

O presidente dos EUA, George W. Bush, assinou uma lei no mês passado, aprovando a construção de um muro de 1,1 mil quilômetros –uma decisão que irritou o governo mexicano.

Bush considera o muro necessário para apertar o controle da fronteira e manter criminosos e terroristas fora do país. Milhares de mexicanos pobres arriscam suas vidas todos os anos para passar pela fronteira de 3,2 mil quilômetros de extensão e encontrar empregos.

Errado

Perguntado se o muro EUA-México é uma coisa errada a se fazer, Martino disse: “Sim, é exatamente o que é”.

Martino elogiou bispos mexicanos e norte-americanos por se opor ao que chamou de “programa desumano, que é a construção desse muro e de todos os outros”.

Israel está construindo uma barreira de concreto e arame farpado na Cisjordânia. Segundo o governo israelense, a barreira, semipronta, impede a passagem de homens-bomba. Os palestinos dizem que o muro toma parte do seu território e nega a eles um Estado viável na região e em Gaza.

A Arábia Saudita vai começar a trabalhar no ano que vem em um muro de segurança em sua fronteira com o Iraque para impedir a entrada de militantes islâmicos no país.

Em sua mensagem, o papa pediu mais leis para ajudar os imigrantes a se integrar melhor em seus novos países.

“Muito já está sendo feito para a integração das famílias de imigrantes, embora ainda haja muito por fazer”, afirmou.

“(Mas) é necessário fornecer intervenções legislativas, jurídicas e sociais para facilitar essa integração.”

A integração de imigrantes também é uma grande questão política nos países europeus.

Fonte: Reuters