A Parada do Orgulho Gay em Jerusalém despertou uma série de protestos e confrontos nesta quinta-feira entre as comunidades religiosas da cidade sagrada. Um judeu ultra-ortodoxo foi preso por planejar um ataque a bomba contra a parada, segundo a polícia israelense.

Outras 15 pessoas foram presas por atirar pedras contra a polícia depois de a Corte Superior de Israel ter rejeitado um recurso de grupos religiosos que pediam a proibição da marcha.

Mais de 7 mil policiais foram enviados para fazer a segurança da parada e evitar confrontos.

Micky Rosenfeld, porta-voz da polícia israelense, disse que os policiais encontraram um dispositivo explosivo na bolsa de um suspeito de planejar um ataque.

“Ele admitiu que planejava colocar o dispositivo na rota da parada”, disse Rosenfeld.

Protestos

Cerca de 2 mil pessoas participaram da marcha, levando balões coloridos, cantando e exibindo cartazes com fotos do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela e do Dalai Lama, segundo a agência de notícias Associated Press.

“Estamos muito satisfeitos por estarmos aqui, celebrando nossa liberdade de expressão no centro de Jerusalém”, disse Noa Satat, presidente do grupo de defesa dos direitos de homossexuais Casa Aberta, à agência de notícias Reuters.

Várias centenas de judeus ultra-ortodoxos protestaram contra a parada na entrada da cidade, incendiando latas de lixo e levando bandeiras com a palavra “Vergonha”.

Os judeus ultra-ortodoxos protestaram várias vezes contra a marcha na semana passada, queimando pneus, enfrentando a polícia e danificando carros.

O evento, que ocorre em Jerusalém desde 2001, foi condenado por grupos conservadores judeus, cristãos e muçulmanos que afirmam que a homossexualidade é uma “abominação”.

Mas grupos que defendem liberdades civis afirmam que a marcha celebra a diversidade da cidade sagrada.

“O ‘por que em Jerusalém’ não é uma questão. É a mesma questão de deixar as mulheres votarem”, disse Dana Olmert, filha do primeiro-ministro israelense Ehud Olmert, lésbica, em uma entrevista à rádio do Exército de Israel.

Histórico

Em 2006, a parada foi realizada em um estádio devido a temores pela segurança dos participantes.

Em 2005, um manifestante judeu ultra-ortodoxo esfaqueou e feriu três pessoas, apesar da grande presença da polícia no evento.

O ativista gay Adam Russo, que foi uma das pessoas esfaqueadas há dois anos, disse à BBC que homossexuais têm o direito de marchar pela cidade.

“Estamos todos assustados, mas estou aqui, pois tenho o direito de protestar. Ninguém vai me calar. Jerusalém é o lugar onde devemos marchar”, disse.

A maior Parada do Orgulho Gay de Israel, que ocorre todo ano na cidade de Tel Aviv, ocorreu de forma pacífica no começo do mês. Cerca de 20 mil pessoas participaram do evento.

Fonte: BBC Brasil