A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que aproximadamente 200 diplomas falsos tenham sido vendidos pelo pastor da igreja Assembléia de Deus, Eliezer Martins, em Sinop. A estimativa é do delegado municipal Richard Damasceno Lage, que conduz inquérito em Sinop.

Se os números forem confirmados, é possível que a quadrilha tenha faturado aproximadamente R$ 160 mil no município desde 2004.

A estimativa de Lage é baseada nas investigações que começaram a ser feitas na Delegacia Municipal a partir da prisão do pastor, no dia 24 de janeiro. Até ontem, duas pessoas foram ouvidas oficialmente em Sinop e fizeram novas revelações à polícia.

Em entrevista ao Diário, uma das vítimas, que pediu para não ser identificada, explicou que após a participação num culto em meados de 2005, um missionário chamado Moacir – que segundo a vítima mora atualmente na Bolívia -, falou que o pastor Eliezer Martins estaria em Sinop com a finalidade de aplicar uma prova para os “irmãos” que não tinham concluído o Ensino Médio e que tinham interesse no diploma. No entanto, para fazer a prova, segundo a fonte, “seria necessário pagar uma taxa simbólica ao pastor Eliezer no valor de R$ 800 para custear sua locomoção e estadia na cidade”.

A fonte ainda revelou que o teste feito como requisito para conseguir o diploma foi aplicado na sala da Faculdade Teológica das Igrejas Assembléia de Deus de Mato Grosso (Faetpmat) com a aprovação dos pastores da igreja. “Na época o pastor Tiago Della Rosa e o pastor Antônio da Silva Sobrinho ligaram para o diretor do Colégio Joan Miró no intuito de saberem da legalidade do curso”, reforçou.

Num único dia, segundo a vítima, 50 pessoas fizeram a prova que foi aplicada para duas turmas em horários diferentes. O diploma foi entregue 30 dias após a prova e foi emitido pelo Colégio Joan Miró, de Niterói (RJ).

A fonte explicou que tudo o que disse ao Diário também foi dito à polícia durante o depoimento. Ele explicou que procurou a delegacia espontaneamente depois que soube da prisão do pastor Eliezer através da imprensa. “Me antecipei para não ser acusado de usar documento falsificado. Tudo isso criou um grande problema para mim. Tive que trancar a matrícula na faculdade”, desabafou.

Os pastores citados estão em Cuiabá. O pastor Tiago não atendeu o telefonema do Diário. Já o pastor Sobrinho negou que tenha emprestado qualquer sala da igreja para a aplicação da prova. Mesmo com a insistência da reportagem, que confirmou a informação da fonte junto à secretaria da Assembléia de Deus em Sinop, o pastor Sobrinho continuou negando o fato. De acordo com o evangélico, as provas foram aplicadas nos hotéis em que o pastor Eliezer Martins se hospedava.

Fonte: Diário de Cuiabá