Ainda que a verdade e o diálogo foram elementos centrais no discurso de Bento XVI em sua segunda jornada nesta cidade, o pastor José Salvador, presidente da Igreja Presbiteriana de Portugal, questionou a vontade de diálogo do pontífice romano.

“Não há um esforço real para dialogar com as mulheres que pedem sua ordenação, ou com os homossexuais que exigem o reconhecimento de seus direitos, ou com aqueles que defendem o aborto voluntário. É um diálogo de conveniência. Mas não há verdadeiro diálogo se não se fala com os setores marginalizados”, disse Salvador.

O líder presbiteriano também questionou a seriedade do ecumenismo católico romano. “Apenas dois dias antes da missa inaugural do papa nos pediram para enviar um representante a essa celebração”, revelou, agregando que a pessoa encarregada “esqueceu que existia uma Igreja Presbiteriana no país!”

Participaram do encontro com o papa personalidades do mundo da cultura e representantes de religiões presentes em Portugal – judaísmo, islamismo, hinduísmo. Também foi convidada a Aliança Evangélica Portuguesa, que se caracterizou por sua rejeição ao ecumenismo, e não ao Conselho de Igrejas Cristãs de Portugal, que protagonizou encontros e diálogos com a Conferência Episcopal.

“No fundo, parece que a Igreja Católica não tem muita consideração pelos protestantes”, sentenciou Salvador.

Na terça-feira, Bento XVI iniciou sua visita a Portugal, a décimo quinta viagem de seu pontificado, celebrando uma missa num altar levantado especialmente junto ao estuário do rio Tejo, na praça do velho palácio real que foi destruído no terremoto de 1775.

Ontem, o papa encontrou-se com o premiê português, José Sócrates. Seu programa inclui uma visita e várias celebrações no santuário de Fátima, e concluirá com uma missa eucarística em Porto, a segunda cidade do país.

Fonte: ALC