A ‘burocratização’ de um ato de fé por parte do Estado está deixando evangélicos indignados em Cuiabá. Desde dezembro, o jovem bispo Sidnei Furlan, de 26 anos, realiza semanalmente uma subida ao cume do morro de Santo Antônio, de onde distribui bênçãos aos fiéis da Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD).

Informado sobre a necessidade de aviso prévio às autoridades competentes para a ‘empreitada divina’, o bispo agora se diz impedido de promover seus milagres.

Na última quarta-feira (28), o bispo recebeu um ofício informativo da Gerência Regional do Monumento Natural Estadual, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), órgão responsável por administrar o morro de Santo Antônio, uma área de conservação. O documento solicitava o envio de ofício, com antecedência mínima de cinco dias, para cada subida ao morro fora do horário permitido, das 8h às 17h30.

“Nós só fazemos o que está escrito na Bíblia. O Senhor Jesus subia no monte. E eu tenho que subir para as pessoas receberem os milagres”, exclama o religioso. Toda madrugada de quarta-feira é hora de subida, segundo Furlan. Outras seis pessoas costumam acompanhá-lo, entre pastores e um técnico responsável por captar imagens lá do alto, recebidas por uma antena parabólica e inclusas nas 14 horas de programação televisiva da IMPD diariamente.

A subida ao morro acontece sempre em jejum. Nas costas, o bispo leva uma mala pesada, repleta de pedidos dos crentes por milagres pessoais. Trata-se do ato final previsto por ocasião do Dia do Milagre Urgente, campanha promovida pela IMPD toda terça-feira, o evento mais importante da congregação. “O morro de Santo Antônio oferece todas as dificuldades próprias do sacrifício. O que dá a vitória é eu subir com a mala pesada nas costas e descer com os milagres cumpridos ao povo, mas os caras não querem deixar”, protesta o bispo contra a Sema.

De acordo com Celso de Arruda, responsável pela administração do morro, o que o bispo tem entendido como proibição é apenas um documento informativo, pois a lei estabelece que a visitação ao local fora do horário estipulado deve ser autorizada. Porém, ele mesmo avisa que o descumprimento implica em crime ambiental e de desobediência, ambos previstos na lei. O cuidado com as visitações, diz Arruda, existe devido ao grande volume de lixo deixado por visitantes.

Fonte: Diário de Cuiabá