O pastor Zaur Balaev foi condenado a dois anos de prisão na última quarta-feira, dia 8 de agosto, pela corte de Zakatala. O veredicto foi anunciado por volta das 16h (horário local), sem explicações, pelo juiz Seifali Seifullaev, segundo informou o líder da União Batista do Azerbaijão, Ilya Zenchenko, ao Forum 18.

“É uma notícia triste,” disse ele. “Vamos apelar da decisão e apresentar o recurso hoje, 10 de agosto”.

O pastor, de 44 anos, foi sentenciado com base no artigo 315, que pune o uso da violência contra oficiais do Estado no exercício de suas funções com até três anos de prisão.

O julgamento dele começou no último dia 16 de julho. A primeira denúncia contra ele foi a de “condução ilegal de atividades religiosas sem a devida autorização estatal”, com o uso de músicas altas para atrair os jovens.

Na ocasião, ele havia sido preso sob a acusação de resistir à prisão e de soltar um cachorro para agredir os policiais que invadiram o culto presidido por ele no dia 20 de maio (leia mais).

Depois que o advogado dele questionou a existência do cão, Zaur foi acusado de ter espancado cinco policiais e ter danificado a porta de uma viatura policial.

O policial da vila, Khalid Memedov, alegou que o culto ocorrido no dia 20 de maio foi “uma violação pública” e que por isso “cumpriu com a obrigação de sua função”.

Testemunhas negam

Inesperadamente, quatro testemunhas disseram que não viram Zaur Balaev batendo nos policiais, mas que só tinham ouvido falar da agressão por pessoas no mercado, na casa de chá e pelo próprio Khalid Memedov, que os teria pressionado a testemunhar.

O líder da União Batista do Azerbaidjão disse que a corte ignorou o depoimento das testemunhas e também as denúncias de que Zaur teria sido torturado pelos policiais, apesar das visíveis escoriações no corpo.

Por 13 anos o pastor Zaur Balaev tentou obter o registro para manter a igreja legalizada. Dentre os inúmeros exemplos de perseguição sofridos ao longo dos anos está a recusa de funcionários do governo em conceder certidões de nascimento aos filhos de membros da igreja. Os nomes de batismo deles foram considerados inaceitáveis por funcionários de Zakatala.

Fonte: Portas Abertas