O chefe da Igreja Cristã Ortodoxa sérvia, o patriarca Pavle, morreu neste domingo aos 95 anos, em Belgrado. Pavle foi o responsável pela recuperação da Igreja, que tem 7 milhões de seguidores, no período pós-comunismo e fez pedidos pela paz e conciliação durante os conflitos nos Bálcãs, na década de 1990.

De acordo com a Igreja e o Hospital Militar de Belgrado, onde Pavle estava internado havia dois anos, ele sofreu uma parada cardíaca fatal enquanto dormia. Ele sofria de problemas cardíacos e pulmonares.

O presidente da Sérvia, Boris Tadic, afirmou que a morte do patriarca representa uma perda “grande e insubstituível”. “Existem pessoas que, pelo simples fato de existir, unificam todo um povo. Assim foi o patriarca Pavle”, afirmou Tadic, em declarações para a agência de notícias sérvia Tanjug. O governo declarou luto oficial de três dias, a partir de segunda-feira (16).

Nascido em 1914 em Donji Miholjac, na Croácia, Pavle foi nomeado o 44º patriarca sérvio em 1990, logo após o colapso do comunismo, que encerrou a repressão religiosa.

“Que Deus nos ajude a entender que somos humanos e devemos viver como humanos, para que a paz retorne ao país e encerre o massacre”, afirmou Pavle ao pedir, em vão, em 1991, o fim da disputa entre os sérvios e os croatas por territórios da Croácia. “Apenas os desejos do diabo são atendidos nessa guerra”, disse, em 1992. Teólogo e linguista respeitado, ele era conhecido pela sua modéstia.

Foi só em 2000 que a Igreja Ortodoxa sérvia quebrou sua tradição de neutralidade e criticou o presidente Slobodan Milosevic, pedindo que ele se afastasse do poder, após derrota levada pelo bombardeio da Otan (a aliança militar ocidental) que acabou com o conflito com albânios separatistas no Kosovo. O pedido pela retirada de Milosevic colaborou para gerar revolta na população, que acabou tirando o presidente do poder, em outubro de 2000.

O provável sucessor de Pavle, Amfilohije, apareceu na TV estatal sérvia caindo no choro ao fazer uma oração pelo patriarca morto. Devido à notícia, os sinos das igrejas de todo o país foram acionados, e a TV estatal começou a exibir documentários sobre a vida dele.

Há relatos de conflitos dentro da Igreja para suceder Pavle. Pelas regras, a Igreja só pode eleger um sucessor 40 dias após a morte do patriarca. O favorito para assumir o cargo é o bispo Amfilohije, um linha-dura conhecido por suas visões anti-Ocidente e ultranacionalistas que já atuava como substituto de Pavle desde sua internação, em 2007.

Fonte: Folha Online