Jozef Wesolowski, ex-arcebispo polonês e ex-núncio que foi destituído do sacerdócio após denúncias de abuso sexual de crianças, perdeu a imunidade diplomática e será julgado no Vaticano.

Ele também poderá passar por um julgamento na República Dominicana, informou a assessoria de comunicação da Santa Sé, em Roma. Será a primeira vez que o Vaticano irá julgar criminalmente um caso de abuso sexual.

[img align=left width=300]http://www.paraiba.com.br/static/images/noticias/normal/1409071647146-arcebispo.jpg[/img]Em um comunicado divulgado na noite de segunda-feira, o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, negou que o Vaticano, ao chamar Wesolowski de volta a Roma no ano passado, quando ele ainda era um diplomata em Santo Domingo, tentava encobrir o caso. “Longe de qualquer intenção de encobrimento, essa ação demonstra o compromisso pleno e direto de responsabilidade da Santa Sé, mesmo em um caso tão grave e delicado”, disse Lombardi.

Wesolowski está sendo investigado na República Dominicana, onde atuou como núncio (representante diplomático do Vaticano), sobre as acusações de pagamento de meninos para a prática de atos sexuais. Em junho, um tribunal do Vaticano destituiu o ex-arcebispo do sacerdócio, o que significa que ele foi reduzido ao status de um leigo e não pode mais ser padre.

Ele agora deve ser submetido a outro processo judicial, criminal, na Cidade do Vaticano, na primeira vez que o Vaticano vai realizar em seu território um julgamento por esse tipo de acusação. Wesolowski pode pegar até doze anos de prisão e como o Vaticano não dispõe de um presídio, o ex-arcebispo pode cumprir sua pena em uma prisão da Itália, em um acordo entre a Santa Sé e o sistema penitenciário italiano. Lombardi disse que Wesolowski está apelando contra a destituição do sacerdócio e que a apelação do processo canônico será julgada nas próximas semanas. Depois disso, o processo penal contra ele no Vaticano “continuará assim que a sentença canônica se tornar definitiva”.

O Vaticano possui um sistema judiciário formal desde 1889, mas estava desatualizado e por isso foi alterado a pedido do papa Francisco, em 2013. Hoje a Justiça do Vaticano inclui uma série de convenções das Nações Unidas que o Estado assinou ao longo dos anos. O novo Código Penal do Vaticano adotou especificidades como lavagem de dinheiro, crimes sexuais, e de violação de confidencialidade e privacidade. A prisão perpétua foi abolida pelo papa Francisco, também em 2013, a pena máxima da Justiça do Vaticano é de 35 anos de prisão.

O porta-voz fez a declaração após a repercussão de uma reportagem detalhada sobre o caso Wesolowski no The New York Times, publicada neste final de semana. Segundo o porta-voz, o ex-arcebispo polonês, de 66 anos, já não tem imunidade e “pode também ser submetido a procedimentos judiciais dos tribunais que possam ter competência específica sobre ele”. Lombardi afirmou também que o papa Francisco, que prometeu tolerância zero contra os clérigos que abusam sexualmente de crianças, está acompanhando o caso Wesolowski com muito cuidado e quer que seja tratado “com justiça e rigor”.

[b]Fonte; Veja online via Paraíba[/b]