O governo chinês pediu nesta quinta-feira ao Vaticano para se recusar a receber o Dalai Lama, afirmando ser incompreensível o prestígio do líder tibetano exilado em relação às capitais ocidentais.

Fontes do Vaticano disseram na quarta-feira que o papa Bento 16 vai receber o Dalai Lama, em uma audiência privada em 13 de dezembro.

“Esperemos que o papa não faça nada que possa prejudicar os sentimentos do povo chinês e que demonstre a sinceridade do Vaticano em melhorar as relações com a China através de atos concretos”, disse o porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Liu Jianchao.

Bento 16 e o Dalai Lama já se encontraram em outubro de 2006. A audiência de dezembro ainda não foi anunciada oficialmente pelo Vaticano, que tem adotado um tom mais conciliatório em relação a Pequim, na esperança de reatar as relações diplomáticas rompidas desde 1951.

A China insiste que o Dalai Lama não é um líder religioso, mas um separatista que busca a independência do Tibete.

Líder

Liu Jianchao afirmou que “é difícil compreender” porque que os representantes políticos internacionais aceitam receber o Dalai Lama.

“Acho que há dos motivos. Primeiro porque são enganados por ele [Dalai Lama]. A segunda razão é porque querem fazer qualquer coisa contra China”, disse Liu, sem dar maiores detalhes.

O Dalai Lama foi recebido recentemente pelo presidente dos EUA, George W. Bush, o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro australiano, John Howard.

O líder espiritual tibetano visitou Portugal em setembro, tendo sido recebido pelo presidente do Parlamento e por deputados da comissão parlamentar das Relações Exteriores.

Prêmio Nobel da Paz em 1989 pela dedicação não-violenta à causa do Tibete, o Dalai Lama partiu para o exílio na Índia em 1959, quando o exército de Pequim ocupou a região chinesa.

O Dalai Lama abandonou as exigências iniciais de independência para o Tibete, defendendo uma “autonomia real e significativa” que preserve a cultura a língua e o meio ambiente tibetanos.

Fonte: Lusa