Professor de Filosofia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e pesquisador do Laboratório de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas da mesma instituição, Renato Noguera diz que o livro de Crivella “demonstra nitidamente o racismo cultural.”

Segundo ele, o texto reforça a ideia de que apenas alguns povos têm “o direito de produzir uma cultura legítima”:

— O livro contribui para a reprodução de estigmas, preconceitos e estereótipos, é um elemento da cultura de conversão forçada, missionária e perigosa.

[img align=left width=300]http://og.infg.com.br/in/20298098-b63-e29/FT1086A/420/livro-Crivella.jpg[/img]Para o pesquisador, um dos “efeitos colaterais” da publicação pode ser a violência, já que o livro “cria condições e possibilidades para uma intervenção mais agressiva”:

— O racismo anti-negro traz consequências terríveis, como a prática de analisar fora de contexto alguns rituais específicos de cada povo — completa. O pesquisador ressalta desconhecer qualquer religião africana que pratique sacrifício de crianças.

Para Noguera, “Evangelizando a África” mistura conceitos, tradições e práticas religiosas de diferentes regiões.

— Não se pode considerar homogêneo um continente que reúne 55 países e mais de 800 povos —frisa.

Ele ressalta que o conteúdo do livro não condiz com elementos do próprio cristianismo, “que não demonstra xenofobia”. O pesquisador cita que a tradição cristã africana é tão antiga quanto a europeia.

Procurado, o arcebispo do Rio, D. Orani João Tempesta, afirmou por sua assessoria, que a “a agenda cheia” impossibilitaria qualquer comentário sobre o livro de Crivella.

[b]Fonte: O GLobo[/b]