“Querer criar contradição religiosa onde não tem é criar um clima de divisão no país,” disse Dilma Rousseff.

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou neste sábado que a polêmica em relação ao aborto, tema que se tornou o centro da campanha presidencial, cria uma divisão religiosa no país e responsabilizou a oposição pelo que chamou de “rede de boatos e intrigas” a seu respeito.

“Eu acho que houve um processo nessa eleição que contraria tudo o que o Brasil conseguiu construir ao longo dos seus mais de 500 anos de vida. É o seguinte fato: nós somos um país que nunca teve conflito religioso,” disse Dilma a jornalistas após visitar um hospital especializado no atendimento a gestantes carentes em São Paulo.

“Querer criar contradição religiosa onde não tem é criar um clima de divisão no país,” disse ela.

Dilma tenta afastar polêmicas sobre sua posição em relação ao aborto, tema que acabou se tornando o centro da campanha presidencial na última semana.

Antes do início da disputa pelo Planalto, ela havia declarado ser favorável à legalização do aborto, mas manifestou-se de forma contrária à liberação da prática durante a campanha.

O tema, caro a católicos e evangélicos, de quem Dilma tenta se aproximar, contribuiu para impedir que a petista se elegesse no primeiro turno e acabou sendo explorado pelo adversário.

A petista foi categórica ao negar que a visita desta tarde tenha relação com a polêmica em relação ao aborto. Na véspera, ela visitou uma creche para crianças e adolescentes em Brasília e, durante a semana, esteve em uma igreja em Minas Gerais.

“Eu acredito que tem uma deliberada tentativa de fazer com que a gente entre só nesta pauta (do aborto). Se continuar essa rede de boatos e de intrigas, só pode vir do meu adversário,” declarou, referindo-se ao candidato José Serra (PSDB).

[b]Fonte: Reuters
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