Ao sair para orar, no fim da noite de sábado, o pastor Francisco de Paula Cunha de Miranda, 44 anos, foi morto a duas quadras de casa, no Bairro Gressler, em Venâncio Aires.

Ele foi atingido com pelo menos uma facada no peito quando caminhava na Rua Conde D’Eu e ainda chegou a ser socorrido pela ambulância do Corpo de Bombeiros, mas não resistiu ao ferimento e morreu enquanto era atendido na emergência do Hospital São Sebastião Mártir.

A Polícia Civil passou o domingo investigando o caso, mas segundo o delegado plantonista Régis Gomes dos Santos, as causas do assassinato ainda são desconhecidas. Embora aparentemente nenhum pertence da vítima tenha sido levado, a polícia não descarta a hipótese de roubo seguido de morte.

Miranda morava em Venâncio com a esposa e as três filhas há quatro anos, quando deixou Caxias do Sul para fundar na cidade a Igreja Ministério de Fogo para as Nações, de uma rede apostólica da qual fazia parte desde o começo dos anos 2000. Antes era jogador de futebol. Natural de Porto Alegre, iniciou a carreira no Aimoré, de São Leopoldo. Passou também por clubes como Glória de Vacaria, Esportivo de Bento Gonçalves, Guarani de Venâncio e Brasil de Pelotas até chegar ao Figueirense, de Santa Catarina.

Marcos Joel da Silveira, um dos discípulos mais próximos de Miranda, conta que ele virou pastor há menos de dois anos. “Ele já veio para Venâncio com essa missão. Amava a cidade e o povo daqui”, disse ele no fim da tarde de ontem, momentos antes de o caixão ser levado do tempo para o cemitério. O último culto liderado pelo pastor foi na quinta-feira. Sábado ele passou o dia em um encontro da Igreja em Porto Alegre e já estava em casa, pouco antes das 23 horas, quando saiu de casa dizendo que iria orar. “Deus disse pra ele sair e orar. E foi o que ele fez”, relembrou o discípulo.

Conforme Silveira, era comum o pastor caminhar pela cidade para fazer suas orações, meditar e conversar com a comunidade. “Não entendemos o que pode ter acontecido. O pastor era uma pessoa benquista e não tinha desavenças com ninguém”, frisou, dizendo que Miranda estava de chinelo, bermuda e camiseta quando foi morto. Mesmo ferido, ele ainda tentou caminhar até sua casa, mas caiu cerca de uma quadra antes. De acordo com o delegado, os investigadores da DP da cidade voltaram ao local e conversaram informalmente com a vizinhança, mas o crime não teve testemunhas oculares e o autor da facada não deixou pistas. “Estamos empenhados em esclarecer essa morte”, salientou o policial.

O velório ocorreu durante todo o dia dentro da igreja e, no momento da despedida, os discípulos entoaram alguns dos cânticos. Com um microfone em mãos, pastores e familiares de Miranda emocionaram as dezenas de pessoas que foram dar adeus ao pastor. “Ele não media esforços para orar e ajudar vocês. Amava a todos e gostava muito desta terra, a qual sonhava em evangelizar”, disse o pastor Adão Tadeu de Sá, de Caxias, amigo de Miranda desde os tempos do futebol. A esposa da vítima, Eliane, pediu apoio dos discípulos. “Os primeiros cultos serão os mais difíceis. Mas vamos nos reunir e levar adiante o trabalho dele”, pediu.

Fonte: Gazeta do Sul – RS