O prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, exigiu, ontem, “um esclarecimento de parte da hierarquia eclesiástica” a respeito do julgamento contra o ex-capelão da polícia da capital, Christian Von Wernich.

“Muitos setores da Igreja devem se pronunciar. Esperamos um gesto, um esclarecimento da hierarquia eclesiástica”, expressou Pérez Esquivel, ao entrar no edifício do Tribunal, onde ocorreu o início das alegações da Promotoria.

Esquivel afirmou que seria “importante um pronunciamento” da Igreja, para não recair “no revanchismo e no ódio”.

Testemunha no processo contra o ex-capelão, Pérez Esquivel assinalou que uma sentença condenatória serviria para começar “a fechar as feridas do nosso povo”.

A advogada do movimento “Justiça Já”, Miriam Bregman, pediu que Von Wernich seja condenado como autor de “genocídio”.

“Ele não é partícipe, é autor e peça chave do genocídio; é uma engrenagem de uma única maquinaria repressiva que atuava em todo o país”, declarou Bregman em sua alegação diante do tribunal.

O advogado da família do jornalista Jacobo Timerman, Afasto Ramos Padilla, pediu “a condenação máxima da escala penal” para o sacerdote.

Amanhã será conhecida a sentença dos três juízes do tribunal federal de La Plata, a 50 km ao sul da capital, que desde julho cuidam do processo do sacerdote católico, acusado de cumplicidade em delitos de lesa humanidade durante o período da ditadura militar no país.

Von Wernich, 69 anos, é acusado de ser co-autor de sete homicídios, de ter participado em 31 casos de tortura e em 42 seqüestros cometidos em cinco centros clandestinos de detenção nos quais o religioso ingressava livremente.

Mais de 70 testemunhas falaram durante o juízo, muitos deles sobreviventes dos campos de detenção. Elas relataram que von Wernich não cumpria nenhum trabalho pastoral, senão que as visitava, depois das sessões de tortura, exortando-as a confessar e a colaborar com os torturadores, para que cessassem os tormentos.

Fonte: ALC