A Conferência dos rabinos ortodoxos da Alemanha e o Congresso judeu europeu exprimiram nesta segunda-feira preocupação com a agressão a um rabino alemão, esfaqueado em plena rua em Frankfurt (oeste) na tarde de sexta-feira.

O religioso ficou gravemente ferido, mas o agressor ainda não foi encontrado.

“Os religiosos judeus podem ainda se mostrar na rua, ou devemos nos colocar em guarda?”, perguntaram os rabinos alemães. Um deles, Netanel Teitelbaum, conclamou “as forças democráticas” a barrarem a violência no seio da sociedade alemã.

O Congresso judeu europeu se disse “chocado” e “muito preocupado (…)ao considerar o aumento da violência racista e anti-semita na Alemanha ao longo do ano passado”. Seu presidente Moshe Kantor chamou as autoridades da Alemanha e da Europa a se comprometerem na luta contra o anti-semitismo e a assegurar a proteção das comunidades judaicas.

O Ministério Público de Frankfurt, notificado do acontecimento, dobrou nesta segunda-feira a recompensa prometida para a prisão do agressor. A polícia, que divulgou seu retrato-falado, havia prometido 2.000 euros no final de semana. O Ministério Público oferece neste momento 4.000 euros.

O suspeito é, segundo a polícia um homem de origem árabe e com cerca de 20 anos. Segundo as testemunhas, ele gritou “Judeu de merda, eu vou te matar”, antes de desferir uma facada no ventre do rabino de 42 anos reconhecível pelo quipá que usava.

A polícia fala de uma agressão anti-semita espontânea e não premeditada.

O homem estava acompanhado de duas mulheres que não se manifestaram junto às autoridades. “Nós esperamos e desejamos obter reações”, indicou um porta-voz do Ministério Público de Frankfurt.

Grevemente ferido, o rabino chegou a ser operado, mas não corre risco de vida.

Segundo as duas pessoas que acompanhavam a vítima, o agressor o interpelou com palavras “que pareciam em árabe”, então, quando o rabino perguntou o que queria ameaçou-o de morte e o esfaqueou.

O Instituto dos arquivos do Islamismo na Alemanha se disse chocado.

“Se ficar provado que o agressor era um muçulmano, nossa amargura e nossa repulsa seriam ainda maiores”, escreveu a presidente do Conselho central dos judeus da Alemanha, Charlotte Knobloch, dizendo esperar que “a amizade dos irmãos judeus” com muçulmanos não seja prejudicada.

A agressão aconteceu após a prisão na Alemanha de três islamistas suspeitos, um turco e dois alemães convertidos ao islamismo, que preparavam atentados com carro-bomba no país.

A comunidade judaica alemã, reduzida à quase nada no nazismo (menos de 15.000 membros em 1945 contra 500 a 600.000 antes da guerra), presencia há alguns anos uma renovação sem precedentes. Ela conta, hoje, com 120.000 membros.

Fonte: AFP