O presidente nigeriano, Umaru Yar’Adua, disse nesta terça-feira que suas forças de segurança irão caçar os remanescentes de uma seita radical islâmica responsável por confrontos que mataram pelo menos 150 pessoas e deixaram milhares de refugiados nesta semana.

Armados com facões, facas, rifles caseiros e coquetéis molotov, seguidores de um pregador radical atacaram igrejas, delegacias, prisões e prédios públicos nos últimos dias no norte do país, uma região majoritariamente islâmica.

Os incidentes começaram depois da prisão, no domingo, de membros do grupo Boko Haram, que prega a adoção mais ampla da lei islâmica no país, no Estado de Bauchi.

Os distúrbios se espalharam para os Estados de Kano, Yobe e Borno, onde vive o líder do grupo, Mohammed Yusuf, e onde foram registrados os piores incidentes.

“A situação foi controlada em Bauchi e Yobe. A situação ruim que temos agora é em Borno, onde o líder do grupo está residindo. Vamos lançar uma operação, uma operação importante para eliminá-los”, disse Yar’Adua a jornalistas após reunião com comandantes das forças de segurança e governadores.

“Nossas agências de segurança há anos os monitoram, e acredito que esta operação será uma operação que irá contê-los de uma vez por todas. Eu lhes asseguro que a situação foi controlada”, disse ele antes de embarcar para uma visita oficial de três dias ao Brasil.

Boko Haram significa “educação proibida”, já que o grupo se opõe à educação ocidental. Críticos dizem que nos últimos anos Yusuf tem instigado estudantes e também jovens iletrados e desempregados a se insurgirem contra as instituições.

Isa Azare, porta-voz da polícia de Maiduguri, disse que 90 participantes dos distúrbios, oito policiais, três agentes carcerários e dois soldados morreram nos confrontos. Centenas de famílias fugiram.

“Quando ouvimos tiros e vimos as pessoas correndo, só reunimos a família e nos juntamos a elas”, disse o jornalista Sunny Nwankwo, que fugiu para um dos dois quartéis de Maiduguri onde milhares de civis se abrigam.

Mais de 50 pessoas morreram nos incidentes de domingo em Bauchi, e houve várias mortes também em Kano e Yobe.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se disse preocupado com os relatos de “mais uma rodada de violência sectária”.

Fonte: G1