O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, reiterou nesta quarta-feira suas críticas à conferência de paz de Annapolis, nos Estados Unidos, e a qualificou de “fracasso”, enquanto considerou que Israel “está condenado ao desaparecimento”.

“A entidade sionista (Israel) não pode continuar sobrevivendo; (..) leva em sua natureza seu desaparecimento, pois se baseia na agressão, na mentira e nos crimes”, disse Ahmadinejad em Teerã após uma reunião do Conselho de Ministros. Ele considerou que a conferência de Annapolis, da qual participam os países árabes, incluindo a Síria, único aliado do Irã na região, “não é mais que uma propaganda política condenada ao fracasso”.

Sua declaração acontece num contexto em que o Irã se prepara para organizar uma reunião de opositores à conferência de Annapolis, da qual participarão os chefes de dez facções radicais palestinas com sede em Damasco, incluindo Hamas e Jihad Islâmica. Na terça-feira, a televisão iraniana “Alalam” afirmou que a reunião ocorrerá hoje, e que os líderes dos grupos já foram convidados, mas fontes oficiais iranianas disseram que o encontro será realizado “nos próximos dias”.

“Desde o início estava claro para as pessoas mais simples que a reunião (de Annapolis) estava condenada ao fracasso”, afirmou. “A conferência e outras centenas de encontros semelhantes não terão sucesso enquanto não forem reconhecidos os direitos dos palestinos e não comparecerem a elas os verdadeiros representantes do povo palestino”, ressaltou Ahmadinejad. “Eles (Estados Unidos) quiseram fazer propaganda política e dizer que Israel e os países árabes se sentaram à mesma mesa. Deveriam ter organizado um plebiscito para saber se a população dos países árabes que compareceram a Annapolis concorda ou não com a participação”, acrescentou.

O presidente iraniano disse que ligou para o rei saudita Abdullah bin Abdul para criticar a presença do país em Annapolis, e que este “afirmou que a Arábia Saudita não reconhece Israel e não permitirá que os palestinos percam seus direitos”, segundo a agência “Irna”. O Irã, que não reconhece o Estado de Israel e não tem relações diplomáticas com os EUA, está na lista de Washington dos países patrocinadores do terrorismo internacional por seu apoio aos grupos radicais palestinos, assim como à milícia xiita libanesa Hisbolá (Partido de Deus).

Além de seu isolamento devido à disputa que mantém com a comunidade internacional por suas atividades nucleares, a República Islâmica se sentiu ainda mais isolada pela ampla participação dos países árabes na reunião de Annapolis, incluindo a Síria. A Arábia Saudita, berço do Islã e terra dos locais islâmicos mais sagrados, também não reconhece Israel, mas cogita fazê-lo, assim como os demais Estados árabes, se o país se retirar dos territórios árabes que ocupa desde 1967.

Fonte: EFE