Líderes de igrejas ecumênicas do Paraguai e representantes do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e do Conselho Latino-Americano de Igrejas (Clai) reuniram-se, ontem, com o presidente da República, Fernando Lugo.

O presidente do Clai, bispo Julio Murray, disse a Lugo que escolheram o Paraguai para realizar encontro com organismo com vistas a novas propostas de articulação “porque entendemos que é preciso dar uma maior visibilidade ecumênica ao que este país está vivendo”.

“Trata-se de um momento muito especial para o Paraguai, em função da mudança política ocorrida e que fala de uma luz de esperança para o povo”, agregou o bispo anglicano.

O presidente da Federação de Congregações da Igreja Evangélica do Rio da Prata (Fedipa), Oskar Dickel, disse ao presidente Lugo que a disposição das igrejas evangélicas ecumênicas é de colaborar com o que for possível para a concretização da paz no país.

“Este momento de mudanças tende a despertar confrontações. Nós entendemos, como Mahatma Gandhi, que a paz é o único caminho”, afirmou. Dickel pediu uma reunião de trabalho com representantes do governo para tratar da continuidade dos projetos sociais mantidos pelas igrejas ecumênicas, o que foi bem recebido por Lugo.

A nação paraguaia passa por tensões, uma vez que movimentos sociais exigem do governo atitudes radicais, principalmente no campo. Grupos de sem-terra ameaçam ocupar terras de brasileiros e brasiguaios.

Persistem as denúncias de lotes de terras indígenas que foram vendidos de forma ilegal no passado por funcionários do Instituto Nacional de Desenvolvimento Rural e da Terra (Indert). Lugo assegurou que a situação dos brasiguaios que não têm documentação será respeitada e que não será uma postura do governo expulsar os colonos brasileiros do país.

Para realizar as mudanças que o povo espera é preciso, em primeiro lugar, empreender uma reforma do Poder Judiciário. O senador paraguaio Luis Alberto Wagner declarou que a reforma agrária também é urgente, pois é preciso dar ao país uma forma de trazer tranqüilidade ao campo.

Para representantes das igrejas Evangélica do Rio da Prata, Metodista e Discípulos de Cristo a presença de colegas do Clai e do CMI em Assunção abriu as portas de um novo tempo de diálogo com o governo. Eles pediram às igrejas da América Latina e do Caribe para que orem pelo povo paraguaio e para que o governo atue com sabedoria nesses tempos de tensão social.

Fonte: ALC