Os fundadores da Igreja Renascer em Cristo são acusados pelo Ministério Público de São Paulo de cometer os crimes de lavagem de dinheiro, estelionato e falsidade ideológica.

Essas acusações já renderam um pedido de prisão preventiva, o bloqueio de bens e a quebra do sigilo bancário dos fundadores da igreja: Estevam Hernandes Filho e Sônia Haddad Moraes Hernandes.

Foragidos desde o final de novembro de 2006, os dois conseguiram uma liminar revogando o pedido de prisão preventiva no final de dezembro. Por conta da liminar, conseguiram embarcar para os Estados Unidos no dia 9 de janeiro deste ano, mas foram presos por declarar falsamente que não carregavam mais de US$ 10 mil –quando portavam US$ 56 mil.

O casal ficou preso no Centro de Detenção Federal, na região central de Miami, mas depois os dois foram transferidos para detenções da polícia de imigração.

Estevam seguiu para o Centro de Detenção Krome, enquanto sua mulher foi levada para uma prisão em West Palm Beach, próxima de Boca Raton, cidade onde o casal possui uma mansão.

Na ocasião da prisão, a defesa do casal da Renascer sustentava que houve somente um equívoco na declaração de valores à alfândega americana e que Sônia e Estevam passam por um constrangimento “injusto e absurdo”.

Dez dias após a prisão, o casal conseguiu liberdade condicional e, desde então, tinham de voltar até as 17h para casa e era obrigado a usar tornozeleiras eletrônicas. O mecanismo emite sinais com a localização dos réus, vigiados 24 horas.

Para escapar do júri popular, o casal fiz um acordo com a Promotoria do Distrito da Flórida em junho e se declarou culpado pelos crimes. Na ocasião, a Justiça americana marcou julgamento para 17 de agosto, quando os Hernandes foram condenados a 140 dias de reclusão, mais cinco meses de prisão domiciliar e mais dois anos de liberdade condicional.

Outras denúncias

Em outubro, o Ministério Público havia apresentado denúncia à Justiça contra Estevam Filho, Sônia Hernandes e o bispo primaz Jorge Luiz Bruno, que supostamente montaram uma igreja laranja, chamada Internacional Renovação Evangélica, para livrar a Renascer de processos.

Segundo levantamento do Ministério, a igreja e as empresas relacionadas ao grupo religioso responderiam por mais de 100 processos –a maioria trabalhista– nas Justiças de São Paulo e Brasília. Por conta dessas acusações, o órgão chegou a pedir o fechamento dos mais 1.500 templos da igreja.

Outra denúncia, feita em setembro do mesmo ano, acusou o casal de fundadores por estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Na acusação, o Ministério afirma que o dinheiro arrecadado na coleta dos ‘dízimos’ dos fiéis seria usado para pagar funcionários de empresas dos Hernandes.

Por conta dessa denúncia, a 1º Vara Criminal de São Paulo determinou o bloqueio dos bens e contas bancárias dos fundadores e das empresas do grupo religioso, em que circularam cerca de R$ 46 milhões entre os anos de 2000 e 2003, de acordo com informações do Ministério Público.

Condenação influenciará ações no Brasil, afirma promotoria

Documentos da condenação do casal Hernandes nos EUA serão enviados ao Ministério Público de São Paulo nos próximos dias e deverão influenciar nas ações que correm na Justiça brasileira, avalia o promotor Arthur Lemos, do Gaeco. “A confissão do casal para os crimes de lá são forte indício de que eles cometeram também os crimes daqui”, diz.

Fonte: Folha Online